1º ano do segundo mandato de Trump marcado por expansionismo e crise
A demolição da ala Leste da Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos em Washington D.C., simboliza o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. Apesar da falta de transparência, das promessas quebradas de não intervenção no acervo e de um orçamento de US$ 300 milhões (R$ 1,6 trilhão), Trump transformou o espaço histórico em um grande salão de baile.
Este gesto representa os 365 primeiros dias de ‘Trump 2’ no comando de uma das maiores potências mundiais: um impacto político que abalou as bases do multilateralismo estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, abrindo caminho para medidas de protecionismo econômico e expansionismo, além de ações extrajudiciais globais, acompanhadas de desprezo pelo Direito Internacional.
Internamente, Trump mostrou apoio a seus seguidores e rejeitou opositores de forma pública e nas redes sociais, já no início da Presidência. Entre seus primeiros atos, concedeu perdão a 1.500 condenados pela invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
Ele quebrou o recorde de ordens executivas assinadas, iniciado em 1933, totalizando 225 e superando Franklin D. Roosevelt. Essas ordens abrangeram diversas áreas, desde a proibição de canudos de papel até o fim de políticas sobre gênero e diversidade, combate à imigração e intervenções federais na segurança.
Em 20 de janeiro de 2025, Trump entrou para a história da democracia americana ao ser o primeiro presidente condenado a assumir o cargo. Com 78 anos e sete meses, também é o mais velho a tomar posse.
O segundo mandato ficou marcado pelo clima de vingança após a derrota eleitoral de 2020 para Joe Biden, cuja vitória Trump ainda não reconhece, com exageros, mentiras e insultos, inclusive nas redes sociais.
Apesar disso, muitas promessas de campanha foram concretizadas, como a busca por receita externa via tarifas, deportação de mais de 600 mil pessoas e a tentativa de se posicionar como mediador em conflitos, independentemente da qualidade das resoluções.
Trump retornou com o apoio das Big Techs e do empresário Elon Musk, que se tornou chefe do Departamento de Eficiência Governamental. Sob sua gestão, houve demissão em massa de servidores, cortes de financiamento e extinção da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Trump focou em tirar a independência da Reserva Federal e reduzir a taxa de juros, o que dificultou a aprovação do orçamento de 2026 e resultou em 43 dias de paralisação dos serviços públicos, a maior da história dos EUA.
O clima de retaliação também afetou a segurança interna, com o envio de agentes federais a cidades onde Trump foi derrotado em 2024, como Los Angeles, Washington e Chicago, sob justificativas de combate à imigração ilegal e tráfico de drogas. Prisões arbitrárias, repressão a protestos e deportações em massa foram realizadas, levando 2 milhões de pessoas a deixarem o país por medo.
Trump ainda lidou com o caso Epstein, sendo pressionado a divulgar documentos sobre acusações contra seu amigo bilionário, mas preferiu desconversar e atacar questionadores.
Nas relações exteriores, Trump impôs uma postura de força, reforçando a Doutrina Monroe para a América Latina e ameaçando aliados como Javier Milei, da Argentina. Prometeu resolver os conflitos entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e Hamas, embora as situações permaneçam frágeis.
Ele pressionou a OTAN para que os países membros aumentassem gastos militares para 5% do orçamento, e terminou o ano com ameaças de invasão à Groenlândia, pertencente à Dinamarca, gerando alerta na Europa.
Trump também buscou se posicionar como pacificador e concorreu ao Nobel da Paz, mas, após ser ignorado em favor da venezuelana María Corina Machado, declarou em carta ao premiê da Noruega que não se sentiria mais obrigado a pensar apenas na paz, abrindo caminho para suas ambições de anexação territorial.
O ano de 2026 será simbólico, com o país comemorando 250 anos de independência e eleições legislativas que podem alterar a composição do Congresso, atualmente com dificuldades para conter as ambições presidenciais de Trump.
Créditos: Terra