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07:04

Movimentos de esquerda protestam contra Congresso após votação da PEC da Blindagem

Movimentos sociais alinhados à esquerda se mobilizaram para protestar nas ruas no domingo (21) contra o Congresso Nacional após a aprovação da PEC da Blindagem e da urgência para o projeto de anistia.

Mais de 33 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais, receberam convocações urgentes para atos coordenados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao PSOL e ao PT. Movimentos como MST e MTST também fazem parte dessas frentes.

Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares e da Frente Brasil Popular, destacou que o momento exigia manifestação direta nas ruas diante do que qualificou como dois grandes absurdos aprovados pelo Congresso naquela semana.

A mobilização ocorre em um contexto de tensão devido a 12 deputados do PT terem votado a favor da PEC da Blindagem, que possibilita ao Congresso barrar prisões e processos criminais no STF contra parlamentares, o que gerou constrangimento dentro das bancadas.

Os parlamentares petistas que apoiaram a PEC apontaram que o voto fazia parte de um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar impedir o avanço da anistia, pauta priorizada por bolsonaristas após a condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista. No dia seguinte, a urgência para a votação da anistia foi aprovada.

Há forte crítica interna ao voto dos deputados do PT, que se defendem alegando terem sido enganados. Kiko Celeguim, presidente estadual do PT em São Paulo, afirmou que o Centrão rompeu o acordo e demonstrou uma postura desleal.

Raimundo Bonfim também classificou o episódio como um golpe e lamentou o comportamento dos deputados.

Alguns deputados, como Merlong Solano, publicaram retratações públicas após a repercussão negativa.

Enquanto líderes e parlamentares da esquerda devem participar dos atos, há incertezas quanto à presença dos deputados que votaram a favor da anistia.

Ministros do governo Lula mantêm até o momento uma postura de evitar agravar tensões com o Legislativo e não confirmaram presença nos atos, que frequentemente utilizam o slogan “Congresso inimigo do povo”.

No Rio de Janeiro, o ato ocorreu às 14h no posto 5 da praia de Copacabana, com apresentações de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, esperando alcançar além do público tradicional de esquerda.

Em São Paulo, a manifestação foi na avenida Paulista, em frente ao MASP, também às 14h, com expectativa de mobilizar um público maior que o do ato do 7 de setembro no Vale do Anhangabaú, que reuniu aproximadamente 8,8 mil pessoas.

Ana Paula Perles, coordenadora nacional do MTST e da Frente Povo Sem Medo, apontou que a ausência de receio de confronto com bolsonaristas e a localização central ajudam a atrair mais participantes.

Os movimentos defendem que as prioridades do Congresso têm favorecido pautas como a PEC da Blindagem e a anistia, enquanto temas de interesse da população, como a redução da jornada de trabalho, a taxação dos mais ricos e isenção do IR para quem recebe até R$ 5.000, são travados.

Segundo Ana Paula, essa situação revela privilégios e blindagens no Legislativo que acirram a revolta popular nas redes sociais.

Ela também destacou que, ao contrário da direita que em 7 de setembro exibiu bandeiras dos EUA, a esquerda busca centrar os debates em temas de interesse público relevante.

Créditos: Folha de S.Paulo

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