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17:03

ONU Reúne Lula e Trump Pela 1ª Vez Desde Sanções Dos EUA ao Brasil

A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ocorrendo em Nova York, receberá o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (21). Esta será a primeira ocasião em que Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estarão juntos desde a eleição de Trump e a imposição por parte dos EUA de uma série de sanções ao Brasil.

Apesar da reunião, não está prevista uma agenda de encontro direto entre os dois líderes. O evento acontece em meio à possibilidade de novas punições americanas contra o Brasil, situação que pode gerar constrangimentos para a delegação brasileira. Além da tensão bilateral, a Assembleia deve abordar temas como a guerra entre Ucrânia e Rússia, o conflito entre Hamas e Israel na Faixa de Gaza e a luta contra as mudanças climáticas.

Outro tópico potencialmente em pauta é a presença militar dos EUA no Caribe, próxima da Venezuela. Na segunda-feira (22), Lula participará de um encontro que discutirá a solução de dois Estados para a Palestina, posição apoiada pelo Brasil mas rejeitada pelos Estados Unidos.

Segundo um integrante do governo petista, cerca de 150 países já manifestaram apoio a essa proposta. Contudo, para avançar, é necessária a aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU, instância que os EUA têm vetado. Espera-se que este tema esteja presente no discurso de Lula na terça-feira (23), durante o debate da Assembleia, quando o Brasil tradicionalmente é o primeiro a se pronunciar.

Lula qualificou como “genocídio” as ações de Israel em Gaza e pode repetir essa condenação. Também deve destacar a relevância da COP30, a conferência climática da ONU marcada para novembro em Belém.

Aliados acreditam que Lula reforçará a soberania nacional e a importância da democracia, contrapondo-se aos ataques dirigidos por Trump ao Brasil. A ênfase dada a esse tema poderá variar conforme a decisão americana sobre eventuais novas sanções em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), prevista para segunda-feira (22).

Entre as possíveis punições estão o aumento de tarifas, restrições a vistos e a inclusão da esposa do ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky, destinada a sancionar violadores de direitos humanos. Caso medidas sejam confirmadas, é esperado que Lula responda em seu discurso.

Nos discursos da Assembleia, oradores aguardam em salas separadas e usam rotas diferentes para sair, o que diminui as chances de um encontro casual entre Lula e Trump, mesmo estando no mesmo local. Esta edição da Assembleia ocorre no 80º aniversário do órgão, que atravessa uma de suas fases mais frágeis.

Nos últimos meses, Trump criticou a ONU e suspendeu financiamentos a vários de seus órgãos, embora ainda reconheça a organização, a ponto de participar da Assembleia.

O pronunciamento de Lula deve contrastar com o de Trump, onde será observada a postura americana sobre os conflitos na Ucrânia, Gaza e o relacionamento global. Trump alega ter solucionado seis conflitos, mas fora do Conselho de Segurança da ONU.

Também devem chamar atenção as declarações do Irã, especialmente sobre ataques americanos a instalações nucleares no país recentes.

Trump tem imposto tarifas globais e buscado resolver disputas à margem da ONU, enfraquecendo o Conselho de Segurança. Por isso, diplomatas em Nova York chamam a reunião de “reuniões do inferno”, aludindo ao clima tenso.

O governo brasileiro afirma que mais de 30 países, incluindo Ucrânia, Suécia e Finlândia, solicitaram reuniões bilaterais com Lula, com confirmações previstas para domingo (21).

A delegação brasileira este ano será reduzida, sem a presença dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Padilha (Saúde). Confirmados estão os ministros Mauro Vieira (Itamaraty), Marina Silva (Meio Ambiente) e Ricardo Lewandowski (Justiça).

Créditos: O Tempo

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