Netanyahu promete nunca permitir Estado palestino após reconhecimentos internacionais
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou neste domingo (21) que nunca haverá um Estado palestino e anunciou a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Isso ocorre como resposta ao reconhecimento formal da soberania palestina pelo Reino Unido, Canadá e Austrália, oficializado neste mesmo dia.
Netanyahu reagiu ao reconhecimento dos três países e alertou que dá “uma enorme recompensa ao terrorismo”, em referência ao massacre ocorrido em 7 de outubro. Ele afirmou que “não será estabelecido nenhum Estado palestino a oeste do rio Jordão” e confirmou a expansão dos assentamentos judaicos nesses territórios.
Os primeiros-ministros dos países que reconheceram a Palestina justificaram a decisão como um esforço para retomar a esperança de paz e assegurar a possibilidade da solução de dois Estados. Keith Starmer, do Reino Unido, Mark Carney, do Canadá, e Anthony Albanese, da Austrália, destacaram a aspiração palestina por um Estado próprio.
O Reino Unido e o Canadá são os primeiros membros do G7 a reconhecerem o Estado palestino, enquanto outros países, como Portugal e França, também cogitam esse passo, considerado simbólico.
Essa movimentação ocorre em meio à intensificação da ofensiva militar israelense em Gaza, que é uma retaliação ao ataque do Hamas de 7 de outubro, que resultou na morte de 1.219 israelenses, majoritariamente civis. A resposta de Israel já causou a morte de mais de 65 mil palestinos em Gaza, na maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde local e a ONU.
Diversos Estados tradicionalmente aliados de Israel deram o reconhecimento ao Estado palestino nos últimos meses, apesar das pressões dos Estados Unidos e de Israel. Em uma cúpula liderada por França e Arábia Saudita nesta segunda (22), uma dezena de países planeja formalizar reconhecimentos do Estado palestino.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o reconhecimento de seu país não incluirá abertura de embaixada até que o Hamas libere os reféns mantidos em cativeiro. Autoridades israelenses criticaram a decisão, classificando-a como contrária à paz, e sugeriram a anexação imediata da Cisjordânia.
Para o presidente palestino Mahmud Abbas, a decisão britânica é um passo fundamental para uma paz justa. Líderes do Hamas também consideram a medida uma vitória para os direitos palestinos.
O Reino Unido, Canadá e Austrália ressaltaram que o reconhecimento não é um prêmio ao Hamas e anunciaram sanções contra o movimento, além do apelo para um cessar-fogo e libertação dos reféns.
Essa postura desses países gera tensão com os Estados Unidos, forte aliado de Israel, cujo presidente Donald Trump manifestou discordância em visita recente ao Reino Unido.
Atualmente, cerca de três quartos dos 193 Estados-membros da ONU reconhecem o Estado palestino, proclamado em 1988 pela liderança palestina no exílio.
A ofensiva israelense em Gaza avança com a operação para tomar a Cidade de Gaza, enquanto um relatório independente da ONU afirma estar em curso um genocídio no território. Israel rejeita essa acusação, chamando o relatório de tendencioso.
Créditos: CartaCapital