Por que o Brasil sempre fala primeiro na Assembleia Geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará o discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU em Nova York, às 10h da próxima terça-feira (29).
Seguindo a tradição, o Brasil será o primeiro país a se pronunciar no evento, seguido pelos Estados Unidos, representados pelo presidente Donald Trump.
Embora o Brasil tenha pronunciado discursos de abertura em ocasiões anteriores, a prática de ser o primeiro orador oficial da Assembleia Geral começou efetivamente em 1955.
A origem dessa tradição é explicada por diversas teorias. Uma delas sugere que o Brasil recebeu essa posição como uma espécie de compensação pela exclusão do Conselho de Segurança da ONU.
Outra hipótese considera que, para não aumentar a tensão entre Estados Unidos e União Soviética na época, o Brasil foi escolhido por sua postura neutra.
A versão mais aceita é que, antigamente, quando ninguém queria começar, o Brasil voluntariamente se oferecia para falar primeiro, conquistando assim esse direito, segundo Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU, em entrevista à NPR em 2010.
O principal evento é o chamado “Debate Geral”, que inicia nesta terça-feira. Apesar do nome, não há um debate propriamente dito; cada país apresenta seu discurso com seus pontos de vista sobre a temática global.
Desde a 10ª sessão em 1955, o Brasil é o primeiro orador, e os Estados Unidos geralmente falam em segundo, com poucas exceções.
Após o presidente da Assembleia Geral abrir a reunião, a sequência dos discursos segue uma ordem que considera hierarquia e, normalmente, a ordem de chegada.
Os chefes de Estado falam primeiro, seguidos por vice-chefes de Estado, príncipes herdeiros, chefes de governo, ministros e chefes de delegações de níveis inferiores.
As Nações Unidas foram criadas em 1945 com 51 membros fundadores e hoje contam com 193 membros.
Além desses, líderes de Estados observadores que não são membros – como a Santa Sé e o Estado da Palestina -, além da União Europeia com status especial, também têm o direito de discursar.
Os oradores são convidados a limitar voluntariamente seus discursos a 15 minutos, embora esse tempo possa variar.
A tradição ajuda a organizar um evento internacional de grande porte, que representa um fórum importante para os países expressarem suas posições no cenário mundial.
Créditos: g1