Canadá, Austrália e Reino Unido reconhecem Estado Palestino soberano
Canadá, Austrália e Reino Unido são os mais recentes países a reconhecer oficialmente um Estado palestino soberano, somando-se a mais de 140 nações que já adotaram a medida. O número de reconhecimentos aumentou desde o início da guerra em Gaza, em 2022.
O reconhecimento feito pelo Reino Unido e pelo Canadá tem caráter simbólico, pois são as primeiras nações do grupo dos sete países mais industrializados (G7) a formalizar esse reconhecimento.
Em 2010, o Brasil reconheceu o Estado da Palestina dentro das fronteiras de 1967, considerando a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital.
Além dos países anglófonos, o governo de Portugal anunciou que oficializará o reconhecimento do Estado palestino no dia 21 de setembro de 2025. França e Bélgica também manifestaram pretensões de fazê-lo, diminuindo o número de países europeus que tradicionalmente evitavam a medida. Inicialmente, esse reconhecimento estava restrito a antigos países comunistas e a nações como Suécia, Islândia e Chipre.
Em 2024, Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovênia desafiaram uma paralisação europeia que durava uma década e também reconheceram o Estado palestino.
A Assembleia Geral da ONU aprovou em novembro de 2012 o reconhecimento de fato do Estado da Palestina, elevando seu status de observador para “Estado não membro”.
Na América, poucos países ainda não reconheceram o Estado palestino, entre eles os Estados Unidos e o Panamá. Na Europa, Alemanha, Itália, Áustria e os países bálticos permanecem entre os que evitam essa oficialização.
Cerca de 80% dos 193 membros da ONU reconhecem oficialmente o Estado palestino, número que cresceu com mais de uma dúzia de adesões desde 2024, período marcado pelo conflito em Gaza e a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Israel e seu principal aliado, os EUA, criticam esses reconhecimentos recentes, alegando que legitimam o grupo Hamas, considerado uma organização terrorista por ambos e por vários outros países.
O governo americano, sob Donald Trump, revogou vistos de membros da Autoridade Palestina e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) antes da Assembleia Geral da ONU em Nova York.
A França foi elogiada pela Espanha, que reconheceu o Estado palestino em maio de 2024, junto com Noruega, Irlanda e alguns países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita. A Autoridade Palestina, que administra a Cisjordânia ocupada, também saudou essas iniciativas.
Após a declaração do presidente francês Emmanuel Macron, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, indicou que o país está aberto a reconhecer o Estado palestino.
Em maio de 2024, 143 dos 193 membros da Assembleia Geral da ONU votaram a favor de uma resolução que reconhece a condição de Estado palestino. A adesão plena à ONU depende, contudo, do Conselho de Segurança, onde os EUA, com poder de veto, bloquearam uma resolução que recomendaria essa concessão.
Quase metade dos países que reconhecem o Estado palestino o fizeram formalmente após novembro de 1988, quando a OLP declarou a Palestina um Estado independente. Esse apoio inicial veio principalmente de países comunistas, a China e países não alinhados.
Na década de 1990, várias nações da Ásia Central, África do Sul, Filipinas e Ruanda estabeleceram relações diplomáticas com a Palestina. No início dos anos 2000, Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela também reconheceram a Palestina como Estado soberano.
Em 2011, a Palestina buscou adesão plena à ONU, mas teve o pedido negado pelo Conselho de Segurança. Após esse episódio, países como Chile, Uruguai e Peru passaram a reconhecer a Palestina.
Ainda em 2011, a Palestina foi admitida como membro pleno da Unesco, e a Islândia tornou-se o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer a Palestina, precedendo a Suécia, que o fez em 2014.
Nos últimos anos, Bahamas, Trinidad e Tobago, Jamaica e Barbados anunciaram o reconhecimento do Estado palestino.
Em junho de 2023, o México manifestou apoio à criação do Estado palestino e decidiu abrir uma embaixada nos territórios palestinos, com os respectivos privilégios diplomáticos.
Também em 2023, a Bolívia cortou relações diplomáticas com Israel devido à guerra em Gaza, acusando Israel de crimes contra a humanidade.
A Colômbia declarou a Palestina uma nação soberana em 2018 e, desde o início da ofensiva israelense em Gaza, reduziu suas relações políticas e econômicas com Israel. Em 2024, o presidente colombiano Gustavo Petro rompeu relações diplomáticas com Israel e ordenou a abertura de uma embaixada em Ramallah, na Cisjordânia.
Muitos países da Europa Ocidental, além de aliados como Japão e Coreia do Sul, manifestam apoio ao conceito de um Estado palestino independente coexistindo com Israel como solução para o conflito no Oriente Médio. Porém, condicionam seu reconhecimento formal a um acordo de paz abrangente.
Alemanha, que não faz parte dos países que reconheceram, segue sendo uma das maiores defensoras de Israel na União Europeia e mantém sua posição atual, apesar de o ex-Estados comunistas da Alemanha Oriental terem reconhecido a Palestina até a reunificação em 1990.
Atualmente, o chanceler alemão Friedrich Merz considera o reconhecimento do Estado palestino como “um dos passos finais para uma solução de dois Estados”.
Créditos: g1