Trump critica ONU e exalta negociações de paz em discurso na Assembleia-Geral
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas para criticar a atuação da ONU, afirmando que a organização não ofereceu qualquer auxílio durante os acordos que ele conduziu para pôr fim a sete conflitos mundiais neste ano.
Segundo Trump, “Nunca aconteceu antes a resolução de sete conflitos mundiais. É ruim que eu tenha tido que fazer isso, em vez da ONU. E, tristemente, em todos os casos a ONU nem tentou ajudar.” Ele destacou ainda que se recusou a receber qualquer apoio da ONU: “Terminei sete guerras, lidei com líderes de todos esses países e nunca recebi nem um telefonema da ONU oferecendo ajuda para finalizar os acordos”.
O presidente americano também ironizou equipamentos da ONU, dizendo que recebeu “uma escada que parou no meio” e um teleprompter com defeito durante seu discurso. Ele mencionou que a primeira-dama americana estava em boa forma e evitou uma queda com a escada.
Além disso, Trump criticou o governo do ex-presidente democrata Joe Biden e afirmou ter impedido uma “invasão” de imigrantes nos EUA. Este foi seu primeiro discurso na tribuna da ONU em seu segundo mandato.
O discurso de Trump foi realizado na sede da ONU, em Nova York, logo após o pronunciamento do presidente brasileiro, Lula, que tradicionalmente é o primeiro a falar no encontro, seguido pelos Estados Unidos por ser o país anfitrião.
Durante o evento, Lula criticou “sanções arbitrárias” e condenou ataques à independência do Judiciário brasileiro. Seu discurso ocorreu um dia após o governo americano endurecer sanções contra autoridades ligadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes e pessoas próximas, em resposta à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de revogação de vistos e incluiu a advogada Viviane Barci de Moraes e uma empresa familiar na lista de sanções sob a Lei Magnitsky, que visa punir corrupção e violações de direitos humanos.
Trump também planejou uma “fala dura” contra o que chamou de “fracassos do globalismo”, termo usado para criticar esforços de cooperação internacional.
No encontro, durante a passagem rápida dos presidentes entre seus discursos, Lula assistiu à fala de Trump acompanhado da primeira-dama e ministros brasileiros, mas não houve interação pública entre os líderes devido às tensões bilaterais.
Essa dinâmica ilustra as fricções presentes na relação entre Brasília e Washington, ao mesmo tempo em que ambos os presidentes expuseram suas visões na principal plataforma diplomática mundial.
Créditos: Folha de S.Paulo