Trump faz discurso na ONU com alegações falsas sobre conflitos e energia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou nesta terça-feira (23) um discurso de quase uma hora na Assembleia Geral da ONU, duração mais de três vezes superior ao tempo normalmente concedido a outros líderes mundiais.
Os jornais The New York Times, Washington Post e a agência Associated Press classificaram suas declarações sobre conflitos internacionais, políticas de imigração, energias renováveis e mudanças climáticas como falsas e enganosas.
Sobre o conflito entre Armênia e Azerbaijão, Trump destacou ter recebido os líderes na Casa Branca em agosto para assinar uma declaração conjunta que buscava aproximar o fim da disputa, mas o conflito não foi resolvido, já que permanecem disputas territoriais e constitucionais.
No caso da República Democrática do Congo e Ruanda, diplomatas dos dois países assinaram em junho um acordo de paz na Casa Branca, porém os combates continuaram e as negociações mais amplas fracassaram.
Quanto à Índia e Paquistão, Trump afirmou ter mediado o fim dos combates renovados após um ataque terrorista na Caxemira, mas as negociações do cessar-fogo aconteceram diretamente entre os países, que ainda mantém divergências sem resolução.
Em relação a Israel e Irã, Trump anunciou um cessar-fogo após ataques militares em junho, alegando ter mediado o acordo, mas a estabilidade dessa trégua é incerta, e as tensões seguem presentes.
Na fronteira entre Camboja e Tailândia, Trump ameaçou interromper negociações comerciais para pressionar os países a um cessar-fogo. A violência diminuiu temporariamente, mas as causas do conflito permanecem sem solução.
Em conflitos entre Egito e Etiópia sobre a hidrelétrica etíope, Trump acompanhou discussões diplomáticas sem intervenção militar efetiva, resultando em pouca influência americana e manutenção do impasse hídrico.
Sobre Kosovo e Sérvia, em 2020 Trump promoveu um encontro para incentivar cooperação econômica, mas sem um acordo formal de paz, com disputas políticas ainda não resolvidas.
A Associated Press ressaltou estimativas da World Wind Energy Association, organização alemã sem fins lucrativos, de que a China detém quase metade da capacidade mundial de energia eólica, com cerca de 561 mil megawatts dos 1,2 milhão existentes no planeta.
Além disso, a China opera quase um terço de todos os parques eólicos globais, 5,4 mil de 17 mil, segundo o Global Energy Monitor, organização americana também sem fins lucrativos.
Quanto às mudanças climáticas, a ONU indicou em agosto de 2024 que em algumas partes do Pacífico o nível do mar aumentou 15 centímetros em 30 anos, quase o dobro da média global. Países insulares como Tuvalu, Maldivas, Ilhas Marshall, Nauru e Kiribati estão entre os locais que podem desaparecer.
Durante o discurso, Trump também comentou brevemente sobre sua relação com o presidente brasileiro Lula, afirmando que tiveram “química excelente” e que se encontrarão na semana seguinte.
Trump defendeu sua gestão e declarou que a ONU não atingiu seu potencial, enquanto a avaliação sobre sua fala e diplomacia gerou reações diversas, inclusive entre integrantes do Itamaraty e setores bolsonaristas.
Créditos: g1