Bar em São Paulo segue servindo caipirinhas após caso de intoxicação, mas clientes estão receosos
Um bar localizado no Jardim Paulista, bairro de alto padrão em São Paulo, continua servindo caipirinhas mesmo após uma designer de interiores relatar ter perdido a visão após consumir a bebida. O estabelecimento afirma que a situação já foi controlada, porém, os clientes ainda estão com medo.
Segundo um garçom do local, todas as bebidas suspeitas já foram retiradas do bar. “Tudo foi levado, deletado. O que está aqui é seguro, pode pedir”, afirmou ao UOL durante uma visita realizada na noite anterior.
A Polícia Civil apreendeu 117 garrafas em três bares e adegas da capital paulista. Na ocasião da reportagem, os clientes presentes consumiam apenas cerveja ou refrigerante. “O pessoal está com medo, e eu entendo. Eu, como vendedor, também fico com receio”, comentou o garçom.
Próximo a esse bar, outro estabelecimento na alameda Lorena tentava vender drinques apesar dos recentes casos de intoxicação. Diferente do bar vizinho, esse local não foi alvo da fiscalização realizada pelas secretarias de Saúde e da Segurança Pública. A reportagem presenciou apenas um casal consumindo drinques. “Eles também me perguntaram sobre o metanol, que é o responsável pela suposta intoxicação, mas estão ali tomando”, disse o garçom, complementando com um sorriso: “Aqui está tudo certo. Pode pedir sem medo.”
O Ministério da Justiça confirmou a terceira morte devido à intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas. A vítima mais recente é um homem de 45 anos que faleceu no dia 28 de setembro em São Bernardo do Campo.
As outras duas mortes confirmadas ocorreram com homens de 38 e 48 anos, também nesse mês, em São Paulo e São Bernardo do Campo. Os casos envolveram o consumo de gim, uísque e vodca adquiridos em bares e adegas.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) alertou para a possibilidade de subnotificação, indicando que o número real de intoxicações pode ser maior, já que nem todos os casos são registrados pelos órgãos de vigilância.
No total, o governo federal contabilizou dez casos confirmados de intoxicação por metanol no estado de São Paulo, incluindo as três mortes. O Ministério da Justiça e Segurança Pública destacou que, devido ao caráter inédito da situação, podem existir casos ainda não notificados e que estão sob investigação, aguardando confirmação laboratorial.
Créditos: UOL