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Hamas avalia proposta de paz de Trump para Gaza amid críticas israelenses

O Hamas iniciou consultas entre seus líderes políticos e militares, tanto dentro quanto fora da Palestina, para elaborar uma resposta ao plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de encerrar o conflito na Faixa de Gaza.

O plano, que contém 22 pontos, foi apresentado na segunda-feira por Trump ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Este último busca conter críticas de aliados de extrema direita em Israel, que classificam a proposta como um “fracasso diplomático”.

Em vídeo divulgado pelo Telegram, Netanyahu afirmou que não concorda com a criação de um Estado palestino e que as Forças Armadas de Israel permanecerão na maior parte da Faixa de Gaza, o que pode contrariar partes divulgadas pela Casa Branca.

Uma fonte palestina, que preferiu manter o anonimato, declarou à AFP que o Hamas está consultando suas lideranças e que a resposta do grupo representarará também os movimentos de resistência. A fonte afirmou ainda que as conversas poderão durar vários dias devido à complexidade do tema, especialmente para coordenar a comunicação após a agressão israelense em Doha.

Enquanto isso, o conflito em Gaza prossegue de forma intensa. O Ministério da Saúde local informou que 37 pessoas morreram em ataques israelenses desde o amanhecer. O plano de Trump prevê que as ações militares sejam interrompidas quando os dois lados concordarem com os termos.

Entre os pontos do plano, estão a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas, vivos ou mortos, o desarmamento total do grupo e sua exclusão do futuro político de Gaza, o envio de forças internacionais para a região e a retirada gradual das tropas israelenses.

Apesar do apoio de grande parte da comunidade internacional, incluindo países árabes e europeus, a proposta foi criticada abertamente pela ala mais radical do governo israelense. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, classificou o plano como “um retumbante fracasso diplomático” e uma “perda histórica da oportunidade mais justa do mundo”.

Em resposta às críticas da extrema direita, Netanyahu reafirmou que se opõe veementemente à criação de um Estado palestino e que o Exército israelense manterá sua presença majoritária na Faixa de Gaza. Ele prometeu a recuperação de todos os reféns vivos e em boas condições.

O plano gerou reações mistas. Alguns defensores da criação de um Estado palestino consideram os termos vagos, sobretudo pela falta de clareza sobre a ocupação da região por Israel. Por outro lado, países de maioria árabe e islâmica, como Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, manifestaram apoio, assim como aliados europeus como Alemanha e Espanha e setores políticos de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

A ANP reconheceu os esforços de Trump para cessar a guerra e reafirmou compromisso em trabalhar com os EUA e parceiros regionais para um acordo que garanta ajuda humanitária suficiente para Gaza e a libertação de reféns e prisioneiros. Mahmoud Abbas, presidente da ANP, reforçou seu compromisso com a criação de um Estado palestino moderno, democrático e não militarizado.

Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro de Israel, avaliou que o plano é “um passo difícil, mas necessário”, ressaltando que o governo não conseguiu resgatar os reféns militarmente e que o país deverá arcar com o custo dessa situação. Bennett defende ainda a criação de uma comissão de inquérito sobre o atentado de 7 de outubro de 2023.

O líder da oposição em Israel, Yair Lapid, chamou o plano de “imperfeito”, porém a melhor alternativa disponível.

Entre a população de Israel e Gaza, prevalece o ceticismo quanto ao sucesso do plano. Civis palestinos ouvidos pela BBC expressaram dúvidas sobre o cumprimento dos termos por parte de Israel e afirmaram que as condições favorecem o país e os EUA. Já cidadãos israelenses consideram os termos aceitáveis, mas duvidam que o Hamas os aceite ou cumpra.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar, mediador nas negociações com o Hamas, informou que haverá reuniões entre o grupo e representantes do Catar e da Turquia. Embora várias rodadas de negociação estejam previstas, ainda é cedo para afirmar qual será a posição do Hamas.

Créditos: O Globo

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