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17:07

Polícia interdita distribuidoras que venderam bebidas adulteradas com metanol em São Paulo

A Polícia de São Paulo, com o apoio da Vigilância Sanitária, realizou nesta quarta-feira (1º) uma operação para investigar a venda de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol.

Os fiscais vistoriaram quatro distribuidoras de destilados, sendo duas localizadas na capital paulista e duas em Barueri, na Grande São Paulo.

De acordo com a Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública (DPPC) da Polícia Civil, esses locais forneciam bebidas alcoólicas ao bar Ministrão, interditado na terça-feira (30) por suspeita de contenção de metanol.

A designer de interiores Radharani Domingos, 43 anos, ficou cega após consumir três caipirinhas no bar, e um laudo médico indicou a presença de metanol em seu sangue.

A ação policial teve como objetivo rastrear o lote de vodca vendido ao estabelecimento, onde ocorreram os casos de intoxicação.

Durante as buscas, fiscais interditaram cautelarmente dois depósitos da mesma distribuidora na Bela Vista, no Centro, conhecidos como BBR Supermercado e BB Belbilar Bbidas, ambos na Rua Conselheiro Ramalho. A Polícia Civil recolheu garrafas, algumas já abertas, para perícia.

Outra distribuidora inspecionada fica na Vila Plana, Zona Sul de São Paulo, porém seu nome não foi divulgado.

Em Barueri, os alvos foram os galpões da GRF Distribuidora, na Avenida Prefeito João Villalobo Quero, e da Brasil Excellance Comercial e Exportadora de Bebidas, na Avenida Dr. Humberto Gianella.

No galpão da GRF, o lote suspeito não foi localizado, por isso as autoridades recolheram caixas de todos os lotes disponíveis para análise e interditaram cautelarmente essas mercadorias.

Já no endereço da Brasil Excellance, não havia atividade em funcionamento, pois a distribuidora não opera mais no local há cerca de seis meses.

A GRF Distribuição declarou colaborar com as autoridades na investigação relativa às bebidas contaminadas.

Na terça-feira, além do bar Ministrão nos Jardins, outros dois bares foram interditados: o Torres, na Mooca, e um estabelecimento não divulgado em São Bernardo do Campo.

O bar Ministrão afirmou que todas as bebidas são adquiridas de fornecedores oficiais, com nota fiscal e procedência garantida.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou cinco mortes por intoxicação por metanol, sendo uma já comprovadamente ligada ao consumo de bebida adulterada e as outras quatro em investigação.

Autoridades anunciaram que todos os estabelecimentos envolvidos em casos suspeitos serão fechados cautelarmente para apuração e controle da origem das bebidas.

Dos 22 casos contabilizados pela Secretaria de Saúde do Estado, 17 são suspeitos e cinco confirmados. Uma das vítimas fatais é o advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, que teve intoxicação comprovada por metanol.

Radharani Domingos ainda está hospitalizada e cega após intoxicação. O oftalmologista realiza tratamentos para tentar recuperar sua visão, mas não há previsão de alta.

O metanol é uma substância tóxica, incolor e inflamável, similar ao álcool comum, porém altamente perigosa quando ingerida em concentração elevada.

Os sintomas da intoxicação incluem ataxia, náuseas, vômitos, cefaleia, convulsões e visão turva, e o tratamento médico urgente é fundamental.

O Centro de Vigilância Sanitária recomenda atenção redobrada na escolha de bebidas com procedência comprovada para evitar intoxicações.

As autoridades continuam as investigações e os trabalhos para fiscalizar estabelecimentos e distribuidoras envolvidos no caso.

Créditos: g1 SP

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