Flotilha com Greta Thunberg é interceptada pela Marinha de Israel perto de Gaza
O Ministério de Relações Exteriores de Israel informou nesta quarta-feira (1º) que navios da Marinha interceptaram a tripulação dos aproximadamente 40 barcos da flotilha que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a ativista sueca Greta Thunberg sentada e entregando seus pertences a um militar israelense. Segundo a chancelaria israelense, “Greta e seus companheiros estão sãos e salvos” e serão levados ao porto israelense de Ashdod, próximo a Gaza.
Antes da interceptação, Tel Aviv avisou os ativistas para mudarem a rota e dirigirem-se a Ashdod, onde a ajuda poderia ser desembarcada e enviada a Gaza por “canais seguros”, proposta que os organizadores da iniciativa recusaram.
Os organizadores afirmaram nas redes sociais que as embarcações estavam sendo ilegalmente abordadas por militares com as câmeras desligadas. Os barcos transportavam alimentos não perecíveis, filtros de água, medicamentos, próteses e fórmulas infantis.
Até às 17h (horário de Brasília), as embarcações Alma, Adara e Sirius já haviam sido abordadas por militares israelenses. No Alma estavam Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila.
O Adara levava os brasileiros Mansur Peixoto, idealizador do projeto História Islâmica, e Ariadne Telles, advogada e ativista pela terra na Amazônia. O Sirius tinha a bordo a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL), o professor Nicolas Calabrese, o funcionário da USP Bruno Gilga, a comunicadora popular Lisiane Proença e o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno Costa.
Em comunicado, os organizadores da Global Sumud Flotilla – cujo nome árabe traduzido significa “resiliência” – disseram que, apesar da interceptação de algumas embarcações, a flotilha seguia a cerca de 70 milhas náuticas (130 km) da costa de Gaza e continuaria sua jornada sem parar.
As tensões aumentaram após relatos de que drones israelenses teriam atacado a flotilha durante o trajeto. Itália e Espanha enviaram navios militares para apoiar possíveis resgates, mas declararam que não interviriam militarmente, acompanhando a flotilha até determinado ponto por razões de segurança.
O chanceler italiano Antonio Tajani afirmou que Israel garantiu não usar força contra a flotilha. Sindicatos italianos já haviam promovido protestos e uma greve geral em solidariedade à iniciativa.
A frota saiu de Barcelona em 31 de agosto, com embarcações se juntando em portos como o de Túnis, na Tunísia.
A intervenção acontece enquanto o grupo terrorista Hamas avalia a proposta do presidente americano Donald Trump para encerrar o conflito. Gaza enfrenta uma crise humanitária grave, e o governo de Binyamin Netanyahu continua com operações militares na Cidade de Gaza.
Na quarta-feira, Tel Aviv anunciou bloqueio para palestinos que residem ou se deslocaram para o sul de Gaza, impedindo acesso ao norte do território.
Em entrevista prévia à Folha, o major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças Armadas israelenses, declarou que o bloqueio à Faixa de Gaza seria aplicado rigorosamente e que não permitiriam a chegada dos barcos.
Na quarta, organizadores afirmaram que embarcações israelenses fizeram aproximações “perigosas e intimidatórias”.
A flotilha foi organizada por coletivos internacionais como Global March to Gaza, Sumud Convoy, Sumud Nusantara e Freedom Flotilla, que arrecadaram mais de €90 mil em doações.
Tentativas anteriores de abrir um corredor humanitário por mar foram frustradas pela intervenção militar israelense, mas geraram repercussão e maior visibilidade para o movimento contra o bloqueio.
Em maio, o barco Conscience foi atingido por drones perto de Malta antes de levar 80 ativistas e suprimentos a Gaza; na época, Israel alegou que transportava armamentos ao Hamas, fato contestado por inspeção maltês.
Em junho, o veleiro Madleen foi interceptado a 180 km da costa de Gaza, com 12 tripulantes incluindo Greta e Thiago Ávila. Thiago foi preso por 5 dias em condições duras, depois solto e expulso após intervenção do Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou o protesto como “iate das selfies” e os ativistas como “celebridades”, e postou nas redes sociais uma mensagem debochada após expulsá-los.
Créditos: Folha de S.Paulo