Lula melhora imagem e avança em pauta do IR diante dos erros da oposição
No início do ano, o governo Lula (PT) estava sob pressão, mas agora apresenta perspectivas de melhora em sua avaliação. Esta reviravolta é atribuída por aliados e adversários a uma combinação de um pacote eleitoral, incluindo a aprovação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5.000 mensais, e aos repetidos erros da oposição nos últimos meses.
Pela primeira vez, há consenso entre governistas e opositores de que o momento mudou. Durante quase dois anos, com minoria especialmente na Câmara, o governo sofreu derrotas e agiu quase sempre na retaguarda. Recentemente, conseguiu pautar o debate, como avaliam pessoas de ambos os lados.
O primeiro passo do governo foi fomentar o debate entre ricos e pobres. Com o objetivo de criar uma marca para o terceiro mandato e mobilizar sua base, o Planalto defendeu que trabalhadores passariam a pagar menos IR, enquanto os super-ricos teriam a taxação aumentada. Este projeto virou lema e conquistou apoio, inclusive do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ainda incentivou Lula ao defender a bandeira da soberania nacional. Sua atuação em negociações com o governo de Donald Trump, mesmo controversa, possibilitou a Lula se apresentar como um defensor dos interesses brasileiros, incorporando a soberania como slogan do governo.
O Planalto também conquistou raras vitórias no Congresso. Foram aprovados três programas voltados para obter votos no próximo ano: duas medidas favorecem as pessoas de baixa renda e a isenção do IR, ainda pendente no Senado, beneficia a classe média.
Este conjunto de medidas, visto como eleitoreiro ou programa de governo, visa a eleição de um presidente com imagem em ascensão. Pesquisa do Ipespe divulgada recentemente mostrou que, pela primeira vez no ano, a aprovação de Lula superou a desaprovação, com 50% contra 48%.
Frequentemente criticado por reciclar programas, o presidente buscava uma marca popular, clamando em reuniões por um novo Bolsa Família ou Luz para Todos. Assim, as ideias mencionadas foram implementadas para se aproximar do eleitor que historicamente o apoia, especialmente em regiões-chave como áreas pobres de Minas Gerais e São Paulo.
Governistas também creditam a melhora à queda da inflação dos alimentos, com o arroz tendo recuado 19,12% este ano, ajudando a reduzir os preços da alimentação em julho.
A cúpula do governo repete que a melhora da imagem está atrelada ao avanço econômico, sustentando que “o povo não come PIB”, frase dita por Lula na oposição. Ele exigiu que a equipe econômica fizesse melhorias no cotidiano da população rapidamente.
Sidônio Palmeira, marqueteiro vencedor nas eleições de 2022, foi nomeado ministro da Secom para cuidar da comunicação do governo já pensando em 2026.
Embora a popularidade de Lula não esteja disparada, aliados afirmam que a sensação de governo em declínio mudou. Com 50% de aprovação, Lula cresce nas intenções de reeleição, o que atrai potencialmente mais aliados.
No início do ano, a oposição tentou chamar atenção para o preço dos alimentos com ações como distribuir “Nemcafé” na Câmara, evidenciando um problema que fez o Planalto agir.
Entretanto, a oposição mudou de estratégia, focando na anistia, pauta com menor apelo público.
Integrantes da oposição reconhecem a queda dos preços dos alimentos e a necessidade de abandonar esse discurso, embora prevejam a possibilidade de os preços voltarem a subir no fim de 2025.
A oposição aceitou um acordo desfavorável para aprovar a PEC da Blindagem em troca da anistia, com o PL entregando os votos de seus deputados.
Erros políticos marcaram o processo, como a conduta de Eduardo Bolsonaro ameaçando sanções caso o STF não suspendesse o julgamento contra seu pai, e o apoio ao tarifaço americano anunciado por Donald Trump, seguido por Tarcísio de Freitas, que chegou a ser cotado para a Presidência pela direita.
Bolsonaristas levaram bandeiras dos Estados Unidos a manifestações, o que a esquerda aproveitou para exibir a bandeira do Brasil no mesmo local na avenida Paulista.
A direita acredita que até as eleições a situação pode mudar, pois o custo do tarifaço pode levar a população a cobrar soluções do governo Lula, e sua falta de resposta poderia prejudicar sua imagem.
Além disso, o chamado “fogo amigo” na direita afasta Tarcísio da disputa presidencial, já que ele afirma que tentará a reeleição ao governo paulista após meses de críticas de Eduardo Bolsonaro.
Assim, a oposição comprometeu um cenário que parecia favorável no começo do ano, devolvendo Lula ao centro do jogo político justamente no ano pré-eleitoral.
Créditos: UOL