Política
11:07

Câmara aprova isenção do IR até R$ 5 mil em votação unânime com críticas políticas

A Câmara dos Deputados aprovou em votação unânime a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, com um total de 493 votos favoráveis.

Apesar do resultado expressivo, a medida não é unanimidade em Brasília. Deputados da oposição manifestaram voto contrário, criticando a proposta como uma ação eleitoreira e acusando o governo de populismo. A aprovação gerou também reações negativas no mercado financeiro.

Na sessão que se estendeu até a madrugada de quarta-feira, opositores deixaram claro, embora tenham votado a favor, que fizeram isso a contragosto. Deputados como Luiz Carlos Hauly, do Podemos, classificaram o projeto como uma manobra eleitoral. Luiz Lima, do Novo, chamou a medida de “fake news do governo Lula”. Já Júlia Zanatta, do PL, afirmou que apresentar a isenção como um presente é enganar a população.

A proposta foi inicialmente apresentada em novembro de 2024 e desde então provocou turbulências no mercado financeiro, com queda da Bolsa e alta do dólar, que ultrapassou R$ 6,00, levando especialistas a questionar a continuidade do ajuste fiscal.

O bloco da direita no Congresso acusou o governo de adotar políticas populistas e de ser financeiramente irresponsável, prevendo fuga de capitais e o colapso das contas públicas. Reforçaram que o ministro da Fazenda prioriza a arrecadação.

O deputado Cabo Gilberto Silva, do PL, enfatizou a insatisfação com o pagamento de impostos e defendeu o aumento da taxa mínima para um grupo seleto de 140 mil contribuintes de alta renda, que hoje pagam cerca de 2,5%. Essa fatia passará a contribuir com taxa mínima entre 5% e 10%, compensando a ampliação do benefício para 16 milhões de brasileiros.

Em um momento curioso da sessão, o deputado reclamou dos preços elevados de celulares da Apple no Brasil, mencionando que o país paga o segundo iPhone mais caro do mundo, comentário que destoou da realidade da maioria dos eleitores.

Ao término da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou que “quando o assunto é o bem-estar das famílias brasileiras, não existe divisão, mas sim o interesse do país”.

No entanto, deputados habituados a defender pautas impopulares mantiveram suas posições, mas se renderam à pressão popular e das redes sociais. Com o pleito eleitoral a um ano, poucos quiseram defender publicamente os interesses da minoria mais rica. Luiz Carlos Hauly resumiu o ambiente: “Vou votar a favor. Quem votar contra é bobo, vai pagar nas urnas”.

Créditos: O Globo

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