Internacional
16:08

Hamas solicita mais tempo para analisar plano de Trump para Gaza

O Hamas pediu mais tempo para avaliar o plano de paz para Gaza apresentado por Donald Trump e apoiado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A informação foi dada nesta sexta-feira (3) à AFP por um membro da liderança do grupo sob condição de anonimato.

Na terça-feira, o presidente americano estabeleceu um prazo de “três ou quatro dias” para a aceitação do seu plano, que visa encerrar quase dois anos de conflito na Faixa de Gaza. Este plano prevê um cessar-fogo, a libertação dos reféns israelenses em até 72 horas, o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do Exército israelense do território.

Apesar do apoio de vários países árabes e ocidentais, o plano ainda gera dúvidas quanto ao cronograma da retirada israelense e ao método para o desarmamento do Hamas. Mohamad Nazal, do conselho político do grupo, declarou que há pontos preocupantes e que continuam as conversas com mediadores e representantes árabes e islâmicos, afirmando que “em breve será comunicada a posição do Hamas”.

A Defesa Civil em Gaza relatou bombardeios intensos e uso de artilharia israelense na Cidade de Gaza. Em setembro, Israel iniciou uma ofensiva aérea e terrestre para controlar o maior núcleo urbano da Faixa, forçando a evacuação de centenas de milhares de pessoas para o sul. Restrição de acesso à mídia e dificuldades em verificar as informações impedem uma confirmação independente dos relatos.

O porta-voz da Unicef, James Elder, alertou que não há locais seguros para os palestinos que foram ordenados a deixar a Cidade de Gaza, alertando que as áreas para onde deveriam evacuar são “locais de morte”.

O conflito teve início com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o sul de Israel. As manifestações globais aumentam, e nas últimas 24 horas, os protestos focaram na interceptação da flotilha com destino a Gaza, organizada por ativistas incluindo Greta Thunberg, que busca levar ajuda ao território enfrentando grave fome segundo a ONU.

Na quarta-feira, a Marinha israelense começou a interceptar esses barcos, detendo mais de 400 ativistas, e nesta sexta-feira parou o último barco remanescente, Marinette. Israel iniciou a deportação dos ativistas detidos, incluindo quatro italianos.

Hugh Lovatt, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores, destacou que o Qatar pode exercer pressão sobre o Hamas, mas ressaltou que convencer líderes do grupo exige diálogo com representantes em Doha, Gaza e combatentes locais. Fontes palestinas afirmam que o Hamas deseja modificar cláusulas referentes ao desarmamento e à expulsão de seus líderes.

Reivindicam garantias internacionais para a completa retirada israelense da Faixa de Gaza e proteção contra tentativas de assassinato dentro e fora do território.

Internamente, há duas correntes no Hamas: uma favorecendo a aceitação incondicional do cessar-fogo com garantias americanas e outra com reservas sobre temas centrais como desarmamento e expulsão, preferindo uma aprovação condicional acomodando suas exigências e as das facções de resistência.

O ataque inicial do Hamas causou 1.219 mortes em Israel, principalmente civis, conforme dados oficiais. A retaliação israelense resultou em pelo menos 66.225 mortos, segundo o Ministério da Saúde do governo de Gaza, números considerados confiáveis pela ONU.

Créditos: Jovem Pan

Modo Noturno