Hamas concorda em libertar reféns em Gaza segundo proposta dos EUA
O Hamas aceitou, ainda que condicionado a negociações e ao cumprimento de certas condições, libertar os reféns que estão em Gaza, trazendo uma esperança concreta para os familiares das pessoas sequestradas em outubro de 2023 em Israel. Essa era uma notícia muito aguardada por essas famílias.
Em resposta à proposta de paz dos Estados Unidos apresentada no início da semana, o grupo palestino declarou nesta sexta-feira (03/10) estar de acordo em “libertar todos os prisioneiros israelenses, vivos e mortos, conforme a fórmula de troca presente na proposta do presidente Trump”.
Essa fórmula prevê o fim imediato dos combates e a liberação, em até 72 horas, de todos os reféns israelenses vivos mantidos pelo Hamas, bem como dos restos mortais daqueles que possam estar mortos, em troca da libertação de centenas de palestinos detidos.
Calcula-se que 48 reféns ainda estejam sob custódia do grupo armado em território palestino, dos quais apenas 20 estão vivos.
Outro ponto importante aceito pelo Hamas, parte crucial do plano de paz dos EUA, é a entrega da governança de Gaza a tecnocratas palestinos.
Contudo, diversos elementos da extensa proposta americana de 20 pontos permanecem com incertezas sobre a aceitação do Hamas, especialmente a exigência para que o grupo dependa suas armas.
O governo israelense deve analisar meticulosamente a declaração do Hamas para compreender suas reais intenções e decidir se a postura do grupo é uma aceitação sincera de pontos chave do acordo ou uma estratégia para ganhar tempo e retomar negociações já longas.
Essa declaração aconteceu poucas horas depois do presidente Donald Trump ter dado um ultimato rigoroso para a decisão do Hamas até domingo (05/10). Trump alertou que, caso não haja acordo, o grupo pode enfrentar “o inferno”. Alguns membros do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu provavelmente permanecem céticos.
Essa postura é reforçada agora que Trump pediu a Israel que pare imediatamente os bombardeios em Gaza.
“Com base na declaração recente do Hamas, acredito que estão prontos para uma PAZ duradoura. Israel deve interromper imediatamente os ataques a Gaza para garantir a retirada segura e rápida dos reféns!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
“No momento, isso é muito perigoso. Estamos discutindo os detalhes a serem definidos. A questão vai além de Gaza; trata-se da paz há muito buscada no Oriente Médio.”
A declaração do Hamas é, sem dúvida, significativa.
Em mensagem de vídeo divulgada em seguida, Trump chamou esta sexta-feira de “grande dia” e agradeceu aos países que ajudaram a formular a proposta, incluindo Catar, Egito, Turquia, Arábia Saudita e Jordânia.
Ainda há muitos detalhes a serem resolvidos antes que a paz na região se materialize, o que o presidente dos EUA reconheceu, afirmando: “Vamos ver como tudo vai acabar. Precisamos dar uma palavra final e concreta.”
Créditos: BBC