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10:06

Hamas aceita proposta de Trump para libertar reféns, mas cessar-fogo gera dúvidas

O grupo extremista Hamas manifestou, ontem, a intenção de libertar os reféns ainda na Faixa de Gaza, conforme um acordo proposto pelo ex-presidente Donald Trump. Apesar de o gesto ser visto como positivo, ele gerou diversas incertezas sobre os detalhes e os prazos para um possível cessar-fogo.

A proposta prevê o “fim imediato da guerra” quando ambas as partes aceitarem o acordo, mas esse consenso ainda não foi alcançado. Um trecho da proposta dos EUA indica que os ataques deverão ser interrompidos preparando o terreno para a “retirada completa em etapas” das linhas de combate.

Mesmo após a divulgação da carta do Hamas, Israel manteve os bombardeios na Cidade de Gaza, que causaram ao menos 20 mortes, segundo autoridades palestinas. As Forças de Defesa de Israel informaram que executam “operações defensivas” na área, incluindo ataques aéreos contra “ameaças às suas tropas”.

Não há, até o momento, definição nas declarações de Hamas, Israel ou EUA sobre quando ou como os reféns serão liberados. Segundo a inteligência israelense, cerca de 50 reféns capturados em 7 de outubro de 2023 permanecem no enclave, dos quais 20 estariam vivos.

O Hamas afirmou que cumprirá a “fórmula de troca contida na proposta” dos EUA, desde que “as condições de campo para a troca sejam atendidas”, sem, no entanto, detalhar tais condições. Espera-se que reuniões para discutir os detalhes do acordo ocorram amanhã no Egito.

O plano americano indicava entrega dos reféns em até 72 horas, mas um representante do Hamas considerou esse prazo “irrealista”. Em entrevista à Al Jazeera, Moussa Abu Marzouk ressaltou que a implementação do plano requer negociação.

Após a libertação dos reféns, Israel deve soltar 250 prisioneiros com condenações perpétuas e 1.700 palestinos detidos após 7 de outubro. Uma proposta anterior, apresentada pelo Egito e rejeitada por Israel, previa troca de reféns em duas fases. Em cessar-fogos anteriores, troca de prisoneiros também ocorreu.

O Hamas não comentou a exigência dos EUA para desarmamento. Entre os termos americanos está a promessa de anistia para extremistas que depuserem armas, com garantia de passagem segura a países que os acolham.

O grupo extremista também não se manifestou sobre a ordem de não desempenhar futuros cargos no governo de Gaza. Na carta, o Hamas afirmou que “renova seu compromisso de entregar a administração da Faixa de Gaza a um corpo palestino independente”, sustentado por árabes e islâmicos, e baseado em um “consenso nacional”.

Ao aceitar o acordo, o Hamas exaltou os esforços árabes, islâmicos, internacionais e do presidente dos EUA para o fim da guerra. A resposta veio quase dois dias antes do prazo final definido por Trump.

O Hamas declarou interesse em participar das discussões sobre o futuro de Gaza, afirmando que “leis e resoluções devem ser debatidas em uma estrutura nacional palestina abrangente” e que contribuirá com “total responsabilidade”.

O presidente dos EUA afirmou estar confiante na prontidão do Hamas para uma paz duradoura após a carta. Trump também pediu que Israel cessasse imediatamente os bombardeios para garantir a segurança na retirada dos reféns.

Além disso, Trump divulgou vídeo de agradecimento aos países envolvidos no plano de paz, destacando Qatar, Turquia, Arábia Saudita, Jordânia e Egito, mas sem mencionar Israel ou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Oficialmente, Netanyahu anunciou preparação para “implementar a primeira fase” do plano de Trump, destacando “cooperação total” com o presidente americano. Porém, bastidores revelam que Netanyahu vê a resposta do Hamas como negativa, colaborando por falta de alternativa. Pessoas próximas ao primeiro-ministro temem que o Hamas levante objeções nas próximas conversas, complicando as negociações.

Países que pressionam pelo fim do conflito consideram o retorno do Hamas um sinal positivo de cessar-fogo iminente. Líderes europeus também se mostraram otimistas: a presidente da União Europeia, Ursula Von der Leyen, qualificou a proposta como “encorajadora”, afirmando que “um cessar-fogo imediato e a libertação dos reféns estão próximos”.

França, Alemanha e Reino Unido também reagiram positivamente. Emmanuel Macron referiu-se à situação como uma “oportunidade decisiva” para o Hamas, enquanto Keir Starmer e o premier alemão Friedrich Merz disseram que os lados estão “mais perto da paz do que nunca”, destacando a libertação dos reféns e a paz para Gaza como objetivos próximos.

Créditos: UOL

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