Internacional
12:08

Jihad Islâmica apoia resposta do Hamas ao plano dos EUA para Gaza

A Jihad Islâmica Palestina, grupo aliado do Hamas que mantém reféns israelenses, manifestou apoio neste sábado (4) à resposta do Hamas ao plano dos Estados Unidos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. A iniciativa pode facilitar a libertação das pessoas detidas por ambas as partes.

Na sexta-feira (3), o Hamas aceitou pontos principais do plano do presidente americano Donald Trump, como o fim da guerra, a retirada de Israel de Gaza e a liberação de reféns israelenses e palestinos.

O aval do Hamas gerou declarações otimistas de líderes globais, que pedem o fim imediato do conflito mortal envolvendo Israel desde sua criação em 1948 e a libertação dos reféns mantidos no território palestino.

Um novo impulso nas esperanças de paz surgiu com o apoio da Jihad Islâmica, apoiada pelo Irã, que embora menor que o Hamas, é considerada mais linha-dura.

A Jihad Islâmica afirmou: “A reação do Hamas ao plano de Trump representa a posição das facções da resistência palestina, e a Jihad Islâmica participou de forma responsável nas consultas que levaram a essa decisão.”

Um alto representante do Hamas confirmou que uma delegação do grupo deve chegar ao Cairo, Egito, neste sábado à noite para negociações.

O apoio conjunto do Hamas e da Jihad Islâmica pode trazer otimismo para os residentes de Gaza, que enfrentam uma grave crise humanitária com ataques israelenses constantes e deslocamento em massa nos últimos dois anos.

Sharif al-Fakhouri, morador de Hebron na Cisjordânia, declarou: “Que o sofrimento se afaste do povo de Gaza, que está entre os oprimidos da Terra. Qualquer esperança para eles é uma vitória.”

No entanto, diversas questões seguem em aberto, como a possibilidade de o Hamas aceitar se desarmar, um dos principais requisitos de Israel.

Alguns palestinos demonstram preocupação de que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que lidera um governo de direita extrema, possa abandonar o plano para encerrar o conflito.

O morador de Jerusalém Jamal Shihada disse: “O importante é que Netanyahu não sabote isso, porque agora que o Hamas concordou, Netanyahu provavelmente discordará.”

Na manhã deste sábado, os ataques aéreos israelenses diminuíram, após o pedido do presidente Trump para suspendê-los, alegando que o grupo radical estaria pronto para a paz.

O Ministério da Saúde de Gaza informou que nas últimas 24 horas os disparos israelenses mataram pelo menos 66 palestinos no território.

Netanyahu anunciou que Israel se prepara para implementar a primeira fase do plano de Trump, que visa a libertação dos reféns israelenses após a resposta do Hamas.

Pouco depois, a mídia israelense informou que militares receberam orientações para reduzir operações ofensivas na região palestina.

O plano americano e a reação do Hamas foram bem recebidos em vários países, incluindo Austrália, Índia, Canadá e na Europa.

O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, declarou: “O fim desta guerra terrível está próximo.”

O Hamas avaliou o plano de 20 pontos de Trump após o presidente dar prazo até domingo para aceitar ou enfrentar graves consequências.

Trump afirmou acreditar que o grupo estaria pronto para uma “paix duradoura” e transferiu a responsabilidade para Netanyahu.

Em sua rede social Truth Social, Trump escreveu: “Israel deve interromper imediatamente o bombardeio de Gaza, para que possamos retirar os reféns com segurança e rapidez!”

Porém, no governo israelense há tensão entre a pressão para terminar a guerra — dos familiares dos reféns e do público — e a ala linha-dura da coalizão, que rejeita uma trégua.

Israel iniciou a ofensiva em Gaza depois do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou em 251 reféns, conforme dados israelenses. Israel afirma haver ainda 48 reféns, 20 deles vivos.

A campanha israelense matou mais de 67 mil pessoas na Faixa, a maioria civis, segundo autoridades de saúde locais.

Efrat Machikawa, membro do fórum de famílias de reféns em Israel e sobrinha de um libertado em janeiro, declarou: “É hora de acabar com esta guerra horrível e trazer todos os reféns para casa. Somos a favor da reconstrução e reabilitação. Estamos fartos da guerra. Não queremos vingança, queremos focar na vida.”

Créditos: CNN Brasil

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