Conflito em Gaza prossegue com ataques de Israel antes de negociação de paz
A Defesa Civil de Gaza informou que os ataques israelenses continuam no enclave, mesmo durante as negociações de um acordo de paz entre o governo de Benjamin Netanyahu, o Hamas e os Estados Unidos.
Cinco pessoas morreram entre ontem e hoje, conforme dados da Defesa Civil local. A autoridade palestina relata que, desde ontem, mais de 50 pessoas perderam a vida, a maioria delas na Cidade de Gaza, que tem sido um dos principais alvos das Forças de Defesa de Israel nos últimos meses.
Um prédio residencial na parte oeste da Cidade de Gaza foi atingido, deixando três feridos. Fotos divulgadas pela agência Reuters mostram os destroços no local.
O Exército de Israel afirmou ontem que diminuiu as operações “ao mínimo” e que seus ataques na região estavam restritos a ações defensivas. Entretanto, o plano de paz apresentado pelos EUA exige a cessação imediata dos ataques.
Mesmo com Israel reconhecendo a continuidade das operações, o presidente Donald Trump agradeceu a Israel pela “parada temporária dos bombardeios”. Ele também declarou que o Hamas precisa agir rapidamente, caso contrário “tudo estará perdido”. A proposta dos EUA prevê que os reféns sejam liberados em até 72 horas, prazo que o oficial do Hamas Moussa Abu Marzouk considerou “irreal” em entrevista à Al Jazeera.
Embora o Hamas tenha manifestado intenção de libertar os reféns, não abordou pontos essenciais do acordo, como o desarmamento total, nem detalhou quando ou como os reféns, vivos ou mortos, seriam entregues.
Nenhum dos pronunciamentos de Hamas, Israel ou EUA indicou exatamente quando ou como os reféns serão liberados. O trecho do plano dos EUA que fixa o prazo de 72 horas foi considerado irrealista por um representante do Hamas, em entrevista à rede Al Jazeera.
O Hamas afirmou que cumprirá a “fórmula de troca contida na proposta” dos EUA, desde que “as condições práticas para a troca sejam atendidas”. Espera-se que reuniões para definir os detalhes do acordo ocorram amanhã no Egito.
O grupo extremista não se pronunciou sobre a exigência de desarmamento feita pelos EUA. Entre as propostas dos Estados Unidos está a promessa de anistia para extremistas que entregarem suas armas, com uma “passagem segura” para países que queiram recebê-los.
Também não comentaram sobre a determinação de que o Hamas não exerça papéis governamentais futuros em Gaza. Em sua carta, o Hamas reafirmou o compromisso de entregar a administração da Faixa de Gaza a um órgão palestino independente, apoiado por árabes e islâmicos e baseado em um “consenso nacional”.
Créditos: UOL