Hamas busca troca imediata de prisioneiros antes de negociar paz com Israel
O Hamas declarou que deseja iniciar imediatamente um acordo de troca de prisioneiros, antes das negociações agendadas no Egito com Israel, envolvendo o plano de Donald Trump para encerrar a guerra em Gaza.
Ministros das Relações Exteriores de vários países, incluindo o Egito, um mediador chave, afirmaram que o diálogo indireto é uma chance concreta para um cessar-fogo após quase dois anos de conflito.
Esse avanço diplomático ocorre logo após o Hamas manifestar disposição para liberar os reféns em Gaza como parte da proposta de trégua de Trump.
Um integrante do alto escalão do Hamas afirmou que o grupo está muito interessado em chegar a um acordo para dar fim à guerra e iniciar o processo de troca de prisioneiros imediatamente.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou ter instruído seus negociadores a finalizar os detalhes técnicos do acordo.
O Egito confirmou que receberá uma delegação do Hamas para as negociações, que devem ocorrer de forma indireta entre domingo e segunda-feira, segundo meios estatais egípcios.
O ciclo de diálogo começa próximo ao segundo aniversário do início do conflito em Gaza, desencadeado pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro.
Trump enviou ao Egito seu genro Jared Kushner e o enviado para o Oriente Médio Steve Witkoff. O presidente americano advertiu o Hamas que não tolerará atrasos na implementação do plano.
Netanyahu espera que os reféns israelenses sejam libertados para a festa judaica de Sucot, que começa na segunda-feira e dura sete dias.
Na sexta-feira, o Hamas manifestou disposição para negociar a libertação dos reféns e o fim da guerra em Gaza neste momento.
Trump pediu a Israel que pare imediatamente os bombardeios em Gaza para garantir a liberação segura dos reféns.
No sábado à noite, manifestações em Tel Aviv e Jerusalém pediram o fim do conflito e pressionaram Trump para garantir o cumprimento do acordo.
Trump declarou em sua plataforma Truth Social que Israel aceitou uma linha inicial de retirada em Gaza e que essa informação foi compartilhada com o Hamas.
Ele afirmou que, quando o Hamas confirmar, o cessar-fogo entrará em vigor de imediato, a troca de reféns e prisioneiros começará, e prepararão as condições para a próxima fase da retirada.
Apesar do apelo de Trump, bombardeios continuaram em Gaza no sábado, com o porta-voz da Defesa Civil local, Mahmoud Basal, reportando 57 mortes, sendo 40 na Cidade de Gaza.
Morador de Gaza, Mahmoud Al Ghazi, afirmou que parece que Israel intensificou seus ataques desde o chamado de Trump, pedindo rapidez nas negociações para impedir o que chamou de genocídio.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que a ofensiva militar deslocou cerca de 900 mil palestinos na Cidade de Gaza.
O Hamas insiste em manter voz ativa nas decisões sobre o futuro de Gaza, apesar da proposta americana indicar que ele e outras facções não terão papel na administração do território.
O plano dos EUA prevê o fim das hostilidades, libertação dos reféns, retirada gradual de Israel de Gaza e desarmamento do Hamas, com o controle temporário ficando a cargo de um organismo técnico liderado por Trump.
O ataque de 7 de outubro causou 1.219 mortes em Israel, a maioria civis, conforme balanço da AFP baseado em dados oficiais.
Neste ataque, os militantes islamistas sequestraram 251 pessoas, das quais 47 ainda estão cativas em Gaza, enquanto 25 foram declaradas mortas pelo exército israelense.
A ofensiva israelense de retaliação causou ao menos 67.139 mortos em Gaza, em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas e considerados confiáveis pela ONU.
Créditos: UOL Notícias