Israel homenageia vítimas e Hamas exige retirada militar em negociações no Egito
Israel prestou homenagens às vítimas do atentado ocorrido em 7 de outubro de 2023, enquanto o Hamas, em negociações indiretas realizadas em Sharm el-Sheikh, no Egito, exigiu a retirada total das tropas israelenses de Gaza e a libertação do último refém.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um plano de 20 pontos para a paz e afirmou que há uma “possibilidade real” de um acordo, apesar das tensões existentes. O Hamas pediu um cessar-fogo permanente, a entrada irrestrita de ajuda humanitária, o retorno das pessoas deslocadas e o início da reconstrução supervisionada por um órgão nacional palestino, condicionando a libertação dos reféns a um acordo justo de troca de prisioneiros.
Trump apoiou a proposta na semana anterior ao anunciar o plano ao lado do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, reforçando que apoiaria Israel caso o Hamas rejeitasse a oferta. Segundo o plano, todos os reféns israelenses devem ser devolvidos em até 72 horas após a aceitação pública do acordo pelo Estado de Israel, enquanto a retirada das tropas seria gradual, vinculada a contrapartidas como o estabelecimento de uma Força Internacional de Estabilização liderada pelos Estados Unidos com parceiros árabes e internacionais.
A retirada completa do perímetro de segurança nas fronteiras com Israel e Egito dependeria da eliminação de tudo que for considerado ameaça terrorista em Gaza. Jihad Islâmica, grupo que também participou do ataque de outubro de 2023, afirmou que a libertação dos prisioneiros está condicionada a um acordo no qual Israel encerre a guerra, ressaltando que a resistência não cessará até que esses objetivos sejam alcançados.
Fontes palestinas e israelenses manifestaram otimismo cauteloso com o início das negociações que contam com a mediação do Egito, Catar, e a participação do primeiro-ministro catari Mohammed al-Thani e do enviado especial de Trump, Steve Witkoff.
O Ministério das Relações Exteriores egípcio indicou que as conversas focariam na garantia do acesso irrestrito à ajuda humanitária e nos mecanismos de segurança para a retirada israelense. Trump afirmou que tomará todas as medidas para evitar a retomada dos ataques após o acordo, destacando o poder para garantir seu cumprimento.
O primeiro dia das negociações foi avaliado positivamente pela delegação do Hamas, que busca um acordo que atenda às aspirações do povo de Gaza. Segundo uma fonte palestina à BBC, os debates seguem um roteiro de cinco pontos: fim da guerra, troca de prisioneiros e reféns, retirada israelense, assistência humanitária e governança pós-conflito.
O conflito, que já resultou em mais de 67 mil mortos em Gaza e 1,2 mil em Israel no primeiro dia dos ataques, foi marcado pelo discurso do Hamas reafirmando que o ataque de 7 de outubro foi uma resposta histórica à causa palestina.
Em Israel, houve um dia de silêncio e homenagens às vítimas e reféns, com famílias se reunindo nos locais de ataques, como no festival Nova, onde Orit Baron chorou a perda de sua filha Yuval e seu noivo Moshe.
O ex-refém Eli Sharabi compartilhou nas redes sociais sua dor pela perda da esposa, filhas e irmão, mortos pelo Hamas.
O Hamas classificou os dois anos desde o ataque como preenchidos por dor e injustiça, denunciando também o silêncio internacional e o abandono dos países árabes.
Países aliados da causa palestina como Arábia Saudita, Catar e Egito não se engajaram diretamente na guerra, sendo que grupos do Eixo da Resistência, liderado pelo Irã, deram apoio armado ao Hamas.
Apesar do apoio às propostas de Trump, esses países árabes condenam a guerra como crime contra os palestinos. O Catar, ainda mediador das negociações, afirmou que Israel deveria já ter suspendido suas operações militares em Gaza e espera resultados sobre um cessar-fogo nos próximos dias.
Créditos: O Globo