Internacional
06:05

Hamas e Israel trocam listas de reféns em negociações para cessar-fogo em Gaza

Hamas e Israel realizaram a troca de listas contendo prisioneiros e reféns que podem ser liberados caso um cessar-fogo em Gaza seja negociado.

Taher Al-Nounou, alto funcionário do Hamas, declarou que os negociadores do grupo e de Israel trocaram essas listas durante conversações focadas nos termos do fim do conflito.

O Hamas afirmou otimismo em relação à possibilidade de um acordo, destacando que o grupo apresenta positividade para avançar nas negociações, segundo informações da Reuters.

As conversas, baseadas no plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão ocorrendo no Cairo, Egito, com foco nos mecanismos para cessar a guerra, retirada das tropas israelenses de Gaza e troca de prisioneiros.

Trump declarou no dia 7 de outubro que um acordo para encerrar a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza está “muito próximo”. O conflito completou dois anos nessa data.

O presidente americano também assegurou que fará todo o possível para garantir que tanto Israel quanto Hamas cumpram os termos do acordo assim que ele for firmado e assinado pelas partes.

Esta não é a primeira vez que Trump se mostra confiante sobre o fim do conflito. Ele havia afirmado estar “muito perto” de um acordo pouco antes de anunciar uma proposta de paz composta por 20 pontos, ao lado do premiê israelense Benjamin Netanyahu.

Outros episódios de otimismo ocorreram quando o Hamas aceitou libertar todos os reféns israelenses de uma só vez.

As negociações indiretas entre Israel e Hamas têm como cenário o Egito, reunindo esforços mediadores do Catar, Estados Unidos e do país anfitrião. Israel concorda com a proposta, embora resista a alguns dos pontos. O Hamas concorda em liberar todos os reféns, vivos e mortos, mas solicita continuar as discussões sobre termos adicionais.

Apesar de alguns avanços, a cautela permanece devido à persistente desconfiança entre as partes, o que pode pôr em risco o processo.

Israel não atendeu à recomendação de suspender imediatamente os bombardeios em Gaza após o sinal positivo do Hamas, fato que motivou Trump a destacar a necessidade do cumprimento rigoroso do acordo para evitar colapsos nas negociações.

Um integrante do Hamas ressaltou que seus negociadores estão empenhados em superar obstáculos para alcançar o acordo, ainda que com várias exigências.

O grupo também caracterizou o ataque de 7 de outubro de 2023 como uma “resposta histórica” à ocupação ilegal dos territórios palestinos, conforme considerado pelo governo Netanyahu.

Relembrando os fatos, no dia 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas realizaram uma invasão no sul de Israel, causando assassinatos em massa e levando 251 israelenses como reféns para Gaza. Atualmente, são 48 os reféns sob poder do Hamas, dos quais 20 estão vivos e os demais, mortos.

Desde o início do conflito, a ofensiva israelense resultou em devastação e profunda crise humanitária na população palestina, considerada uma situação de genocídio e fome, segundo agências independentes vinculadas à ONU.

Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam mais de 67 mil palestinos mortos e quase 170 mil feridos, números reconhecidos pela ONU.

Embora a comunidade internacional encare a proposta de Trump como um sinal de esperança para um cessar-fogo a curto prazo, ainda existem desafios a serem superados.

Tentativas anteriores de cessar-fogo, realizadas no começo da guerra em 2023 e no início deste ano, duraram apenas algumas semanas e não estabilizaram a região do Oriente Médio.

Em 6 de outubro, delegações de Israel e Hamas deram início às negociações mediadas no Egito, contando com a participação de Estados Unidos e Catar, incluindo uma nova rodada marcada para seguir no dia seguinte.

Mesmo com o pedido de Trump para suspensão dos ataques durante as negociações, bombardeios foram registrados no fim de semana, tendo forças israelenses sido orientadas a reduzir a ofensiva.

Para contextualizar, Israel é um Estado criado no final da década de 1940, enquanto os palestinos são um povo árabe muçulmano que habita a região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. O Hamas é um grupo extremista islâmico armado que controla a Faixa de Gaza desde 2007.

A Casa Branca apresentou na semana anterior um plano de 20 pontos para o fim imediato da guerra em Gaza, no qual o território seria livre de grupos armados. O plano inclui anistia para integrantes do Hamas desde que entreguem suas armas e se comprometam com a convivência pacífica.

Donald Trump advertiu que, caso o Hamas não aceite o acordo, enfrentará um “inferno total”, reiterando o apoio a Israel em ações militares para eliminar o grupo de forma definitiva. Netanyahu, por sua vez, afirmou que intensificará a ofensiva caso o acordo não seja fechado.

Créditos: g1

Modo Noturno