Internacional
22:08

Trump promove campanha contraditória ao Nobel da Paz com avanços e controvérsias globais

Donald Trump lançou uma campanha informal para conquistar o Nobel da Paz, em um movimento que lembra o episódio em que Barack Obama recebeu o prêmio sem conquistas destacadas em seu primeiro ano. A cerimônia do Nobel ocorrerá na sexta-feira (10).

Nesta quarta-feira (8), Trump anunciou nas redes sociais que Israel e Hamas aceitaram a primeira fase de um plano de paz para Gaza, que prevê a libertação de reféns pelo grupo terrorista e a retirada militar de Tel Aviv.

O presidente dos EUA afirma ter encerrado “seis, sete guerras” desde seu retorno à Casa Branca, repetindo esse discurso em encontro com mais de 800 oficiais-generais das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, mostra interesse em ações militares internas e internacionais, incluindo o envio de tropas a cidades governadas por seus rivais e o cercamento da Venezuela com forças consideráveis.

No Caribe, Trump editou um decreto classificando cartéis como organizações terroristas, autorizando bombardeios sem a necessidade de aprovação do Congresso, que está preocupado com essa escalada atualmente limitada a pequenos barcos suspeitos de tráfico de drogas.

Quanto aos esforços pacifistas, os resultados são mistos. Houve avanços aparentes no Oriente Médio, mas a Rússia declarou que as negociações relacionadas à guerra na Ucrânia fracassaram até o momento.

Dois acordos de paz foram assinados sob a supervisão de Trump, ambos envolvendo conflitos secundários. Em junho, encerrou uma fase da guerra civil na República Democrática do Congo, embora o grupo rebelde M23 não tenha participado do acordo, deixando a instabilidade regional em aberto.

Em julho, armênios e azeris alcançaram um acordo diante de Trump, incluindo uma passagem que liga um enclave de Baku ao Azerbaijão através de território vizinho.

O ataque dos EUA a instalações nucleares do Irã, em apoio à campanha aérea de Israel, ajudou a alcançar um cessar-fogo entre os dois países, apesar dos riscos contínuos de retomada dos confrontos. Ainda no Sudeste Asiático, uma trégua entre Tailândia e Camboja foi mediada pela Malásia com apoio americano.

Por outro lado, Trump faz afirmações infundadas, como ao dizer que solucionou o conflito milenar entre Índia e Paquistão após uma breve guerra em maio, fato contestado pelo premiê Narendra Modi, com as tensões continuando.

Trump também afirmou ter resolvido a disputa pela maior hidrelétrica da África entre Etiópia e Egito, mas nenhuma mudança foi efetivada.

Além disso, em junho, alegou ter evitado uma guerra iminente entre Sérvia e Kosovo, mas confrontos fronteiriços continuam.

Essa combinação de verdade, exagero e ilusões marca a tentativa de Trump de associar seu mandato a avanços da paz mundial, enquanto continua a adotar posturas militares e retóricas agressivas no cenário global.

Créditos: Folha de S.Paulo

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