Internacional
08:11

Estados Unidos anunciam fase inicial de acordo de paz entre Israel e Hamas para Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 8 de outubro a aprovação da primeira etapa de um acordo de paz entre Israel e o Hamas para a Faixa de Gaza, que pode encerrar o conflito na região.

O anúncio acontece dois anos e dois dias após Israel iniciar uma ofensiva militar em Gaza, em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e na captura de 251 reféns.

Desde então, as operações militares israelenses causaram mais de 67 mil mortes em Gaza, incluindo cerca de 20 mil crianças, conforme dados do Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.

Depois de negociações no Egito, Israel e Hamas concordaram com a primeira fase de um plano de paz americano, anunciado por Trump nas redes sociais, que indicou a libertação breve de todos os reféns e a retirada das tropas israelenses até uma linha acordada.

Trump ressaltou que todas as partes seriam tratadas com justiça e qualificou o pacto como o início rumo a uma paz duradoura.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, chamou o momento de “grande dia para Israel” e afirmou que o governo se reuniria para aprovar o acordo e trazer os reféns para casa.

Por sua vez, o Hamas declarou que o pacto encerra a guerra em Gaza, assegura a retirada das forças de ocupação, permite ajuda humanitária e estabelece troca de prisioneiros.

Esse acordo é a primeira fase do plano de 20 pontos apresentado por Trump, que conta com envolvimento do Egito, Catar e Turquia na mediação, já que Israel e Hamas não mantêm contato direto.

Israel deve votar formalmente o texto em 9 de outubro e, se aprovado, retirar suas tropas em até 24 horas. Em seguida, o Hamas terá 72 horas para iniciar a liberação dos reféns, prevista para começar em 13 de outubro.

Apesar do avanço, permanecem impasses como o desarmamento do Hamas, que condiciona a entrega de armas à criação de um Estado palestino. O controle da Faixa de Gaza também é controverso, pois o plano propõe um comitê tecnocrático temporário, excluindo o Hamas e incluindo a Autoridade Palestina, embora Netanyahu tenha demonstrado resistência.

Além disso, o Hamas ainda não recebeu a lista final dos presos palestinos a serem libertados, que totalizam 1.950 prisioneiros, segundo o plano.

O grupo exige garantias de que Israel não retomará combates após a libertação dos reféns, lembrando que, em março, um cessar-fogo foi rompido por ataques aéreos israelenses.

Em Israel, grande parte da população deseja o fim do conflito, porém Netanyahu enfrenta oposição interna de ministros ultranacionalistas e busca garantir que o acordo lhe permita declarar uma “vitória total”.

A reação de familiares de reféns foi de aprovação e alegria, enquanto moradores de Gaza comemoraram o cessar-fogo e o fim do derramamento de sangue.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou apoio à implementação completa do acordo e reforço na ajuda humanitária e reconstrução em Gaza.

Líderes mundiais, como os primeiros-ministros do Reino Unido e da Austrália, receberam o acordo com alívio e o consideraram avanço importante rumo à paz.

No Congresso dos Estados Unidos, parlamentares manifestaram otimismo cauteloso, ressaltando a necessidade de garantir o fim duradouro da guerra e aguardando detalhes do plano.

Créditos: Reuters

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