Internacional
12:08

Israel e Hamas fecham acordo para cessar-fogo e troca de reféns em Gaza

Israel e Hamas firmaram nesta quinta-feira (9, data local) um acordo para um cessar-fogo em Gaza, constituindo a primeira etapa do plano do presidente americano Donald Trump para encerrar o conflito de dois anos na região. O pacto foi divulgado por Trump em sua rede social Truth Social e confirmado pelo Catar, que mediou o acordo, e por fontes do Hamas envolvidas em negociações indiretas no Egito.

Trump afirmou estar “muito orgulhoso” ao anunciar que “TODOS os reféns serão libertados em breve e Israel retirará suas tropas para uma linha definida, como passos iniciais para uma paz forte, duradoura e eterna”. Segundo uma fonte próxima das negociações, o acordo seria formalizado nesta quinta-feira por volta do meio-dia no Egito (6h em Brasília).

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, qualificou o momento como “um grande dia para Israel”, agradecendo a Trump e informando que convocaria seu gabinete para aprovar o acordo, mediado pelo Egito e Catar. Na negociação, o Hamas detalhou que a primeira fase contempla a libertação simultânea de 20 reféns israelenses em troca de aproximadamente 2 mil palestinos presos em Israel.

Essa troca deve ocorrer nas 72 horas seguintes à implementação do acordo, conforme detalhou à AFP uma fonte que acompanha as negociações. Netanyahu declarou que, “com a ajuda de Deus”, todos os reféns retornarão com segurança para suas famílias. O Hamas assegurou que o pacto prevê o fim da guerra e solicitou a Trump supervisão do cumprimento do acordo por parte de Israel.

Na noite de quarta-feira, em entrevista à Fox News, Trump expressou a expectativa de que os reféns sejam devolvidos à Israel até a próxima segunda-feira, incluindo os restos mortais dos que morreram.

Em situação tensa, jornalistas da AFP presenciaram o secretário de Estado Marco Rubio interromper um evento na Casa Branca para entregar a Trump uma nota urgente sobre o avanço das negociações no Egito. A mensagem manuscrita dizia que o acordo estava “muito próximo” e que era necessário aprovar um anúncio no Truth Social para que Trump fosse o primeiro a comunicá-lo. O presidente egípcio, Abdel Fattah al Sissi, havia informado que Trump poderia estar presente na assinatura caso o acordo fosse fechado.

Trump indicou possibilidade de viagem para sábado ou domingo. O acordo surge poucos dias após Israel marcar o segundo aniversário do ataque excepcional do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando 251 pessoas foram sequestradas, e ainda restam 47 reféns no território, 25 deles considerados mortos pelo Exército israelense.

O plano de paz apresentado por Trump compreende 20 pontos que incluem o cessar-fogo, a retirada progressiva do Exército israelense, o desarmamento do Hamas e o envio de ajuda humanitária ao devastado território palestino. António Guterres, secretário-geral da ONU, saudou o acordo e pediu que todos os envolvidos respeitem integralmente seus termos.

Durante o dia, altos representantes dos EUA, Catar e Turquia participaram das negociações, que também contaram com os enviados de Trump: Steve Witkoff e Jared Kushner. Tréguas anteriores, em novembro de 2023 e início de 2025, permitiram o retorno de reféns ou corpos em trocas semelhantes.

Enquanto isso, um ministro israelense de extrema direita, Itamar Ben Gvir, visitou a Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, provocando reação negativa do Hamas e de países árabes.

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 resultou em 1.219 mortos, a maioria civis. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar que devastou Gaza e causou uma crise humanitária, com mais de 67.100 mortos, em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas.

A ONU declarou estado de fome em partes de Gaza e investigadores independentes afirmam que Israel está cometendo um “genocídio”, afirmação rejeitada pelas autoridades israelenses.

Créditos: Jovem Pan

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