Internacional
04:03

Hamas aceita risco em acordo para liberar reféns com promessas incertas

O Hamas assumiu um risco considerável ao concordar em libertar os reféns restantes em Gaza, abrindo mão de grande parte do seu poder de negociação com Israel sem garantias completas de atender todas as suas demandas.

Historicamente, o grupo palestino afirmava estar disposto a libertar todos os prisioneiros em troca da retirada total das forças militares israelenses de Gaza, do fim definitivo da guerra e da libertação dos presos palestinos. Contudo, o acordo firmado na quinta-feira assegura apenas a libertação dos prisioneiros, sem garantir o fim do conflito e prevendo somente uma retirada parcial das tropas israelenses.

Analistas indicam que essa decisão reflete o enfraquecimento severo do Hamas durante a guerra de dois anos e a forte pressão de aliados como Catar e Turquia.

— O Hamas fez grandes concessões — comentou Esmat Mansour, analista palestino que já esteve preso junto com líderes da organização. — Está correndo um risco ao acreditar que a guerra terminará, mas tem poucas alternativas.

O acordo prevê a troca de todos os reféns sobreviventes e dos corpos de outros por centenas de prisioneiros palestinos.

Questões pendentes que causaram discordâncias em negociações anteriores, como o plano para governança após a guerra em Gaza e a exigência israelense de desarmamento do Hamas, foram deixadas para futuras discussões. Fontes anônimas de um país árabe mediador informaram ao New York Times que o Hamas está confiando nos Estados Unidos para garantir que Israel não reinicie a guerra.

Negociações futuras podem permitir ao Hamas obter certas concessões, possivelmente conseguindo acesso a armas e participação na Gaza pós-guerra.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mantém a posição de que o Hamas deve ser desarmado antes do fim do conflito. Por sua vez, o Hamas considera o desarmamento uma rendição, defendendo a luta armada como resistência legítima ao controle israelense sobre territórios palestinos.

— Ainda há um longo caminho pela frente — destacou Mansour. — Os temas restantes são complexos.

Créditos: O Globo

Modo Noturno