Congresso do Peru aprova afastamento da presidente Dina Boluarte
O Congresso do Peru aprovou na madrugada de sexta-feira (10) o afastamento da presidente Dina Boluarte, acusada de “incapacidade moral”.
O pedido para afastamento, assinado por 34 congressistas de vários partidos, aponta graves acusações de corrupção, como no caso “Rolexgate” que investiga a posse não declarada de uma coleção de relógios de luxo pela presidente.
Boluarte enfrentava rejeição popular alta, com aprovação variando entre 2% e 4%, além de denúncias de enriquecimento ilícito. Em julho, ela aumentou o próprio salário pela metade, o que gerou ainda mais críticas.
A votação no Congresso para destituir Boluarte foi unânime. Logo após, José Jeri, chefe do Congresso, assumiu a presidência do país numa cerimônia realizada em Lima.
Em seu discurso, Jeri declarou que pretende realizar um governo de reconciliação e reforçar o combate à criminalidade, dizendo que “os inimigos são as gangues nas ruas”.
Na quinta-feira (9), o parlamento havia convocado Boluarte para se defender antes da votação do afastamento, mas ela não compareceu.
A presidente Boluarte assumiu em dezembro de 2022, após a destituição e prisão de Pedro Castillo, que tentou dissolver o Congresso. Os meses seguintes foram marcados por protestos violentos, especialmente em áreas andinas e comunidades indígenas, com repressões do governo denunciadas por organizações de direitos humanos.
O atual Congresso conservador, que antes rejeitava pedidos de impeachment, passou a apoiar a destituição, em um contexto político tenso próximo das eleições gerais previstas para abril de 2026.
Desde 2018, o Peru já teve seis presidentes e quatro ex-líderes foram presos, refletindo a instabilidade política crônica do país.
Créditos: g1