Internacional
15:07

Palestinos retornam a Gaza após cessar-fogo histórico entre Israel e Hamas

Milhares de palestinos voltaram neste sábado, 11, ao norte da Faixa de Gaza após o início do cessar-fogo entre Israel e Hamas. Esta trégua, mediada pelos Estados Unidos, representa a primeira etapa de um acordo que prevê a retirada parcial das tropas israelenses, a libertação de reféns e a entrada de ajuda humanitária. O conflito que durou dois anos causou mais de 67 mil mortes e devastou grande parte do território palestino.

Os habitantes da Faixa de Gaza acordaram neste sábado após a primeira noite sem bombardeios desde o começo do cessar-fogo, que representa a fase inicial do plano de paz proposto por Donald Trump para a região. Nas próximas horas, cerca de 2 mil prisioneiros palestinos devem ser trocados pelos últimos reféns israelenses ainda vivos.

As tropas de Israel recuaram como parte desta primeira fase do acordo mediado pelos Estados Unidos com o objetivo de terminar um conflito que provocou dezenas de milhares de mortes e destruiu parte significativa da Faixa de Gaza.

Representantes do Programa Mundial de Alimentos (PMA), da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) comunicaram à AFP que estão preparados para ampliar significativamente suas operações em Gaza. O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários informou ter recebido autorização de Israel para enviar 170 mil toneladas de ajuda e já definiu um plano para os primeiros 60 dias da trégua.

Nabila Basal, que caminhava com a filha ferida na cabeça durante os combates, disse: “É uma sensação indescritível; graças a Deus. Estamos muito, muito felizes que a guerra tenha acabado e o sofrimento tenha cessado.”

Raja Salmi, após uma “viagem especialmente exaustiva”, conseguiu retornar ao bairro de al-Rimal, no coração de Gaza, onde os bombardeios recentes destruíram áreas indicadas pelo Exército israelense como esconderijos de combatentes do Hamas. No entanto, seu apartamento não resistiu: “não existe mais, virou só um monte de escombros.” Ela relatou à AFP um momento de tristeza diante dos destroços, dizendo que suas lembranças se perderam.

Conforme a rádio do Exército israelense, o enviado do presidente Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, esteve em Gaza na manhã de sábado para acompanhar a retirada das tropas israelenses. Ele esteve junto com o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM), que declarou se tratar da formação de uma força-tarefa para apoiar esforços de estabilização em Gaza, sem envio de tropas americanas.

Com a retirada israelense concluída na sexta-feira — as forças estão fora das principais áreas urbanas, mas ainda controlam cerca de metade da Faixa de Gaza — começou a contagem regressiva para a libertação dos reféns mantidos pelo Hamas, que deve ocorrer em até 72 horas.

Hagai Angrest, pai de Matan, um dos 20 israelenses ainda vivos entre os reféns, expressou: “Estamos muito ansiosos, esperando nosso filho e os outros 48 reféns. Estamos aguardando a ligação.”

Vinte e seis reféns foram declarados mortos e o paradeiro de outros dois permanece desconhecido.

De acordo com o acordo, depois da libertação dos reféns, Israel deve soltar 250 palestinos condenados a penas longas, além de 1.700 detidos durante o conflito.

Caminhões transportando alimentos e medicamentos começarão a entrar diariamente na Faixa de Gaza conforme o pacto acordado.

Apesar dos avanços com o cessar-fogo e a troca de prisioneiros, que representa uma importante conquista rumo ao fim de dois anos de conflito, ainda existem dúvidas sobre a possibilidade de uma paz duradoura dentro do plano de 20 pontos proposto por Donald Trump.

Diversas questões seguem abertas, como a administração de Gaza após o fim dos combates e o futuro do Hamas, que rejeita as exigências israelenses de desarmamento.

Donald Trump declarou na Casa Branca que acredita que o cessar-fogo será mantido: “Todos estão cansados de lutar.” Ele comentou que existe um “consenso” sobre os próximos passos, mas reconheceu que detalhes ainda precisam ser definidos.

Israelenses e palestinos celebraram o acordo, que encerra uma guerra que matou mais de 67 mil palestinos e busca garantir o retorno dos reféns capturados durante o ataque do Hamas que provocou o conflito.

O ataque, ocorrido em 7 de outubro de 2023, atingiu cidades israelenses, bases militares e um festival de música. Na ocasião, militantes do Hamas mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, e sequestraram 251 reféns.

Donald Trump tem previsão de visita à região na próxima segunda-feira. Ele fará um discurso no Parlamento israelense (Knesset), tornando-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a fazê-lo desde George W. Bush, em 2008. Trump também informará que visitará o Egito e que outros líderes mundiais deverão participar das reuniões.

Informações da AFP.

Créditos: Terra

Modo Noturno