Internacional
12:06

Hamas anuncia libertação de reféns e renúncia ao governo de Gaza após guerra

O Hamas informou à AFP que libertará os reféns ainda mantidos em Gaza na segunda-feira (13) e que não governará o território após o conflito. Essa declaração ocorreu no terceiro dia do cessar-fogo com Israel.

De acordo com Osama Hamdan, alto funcionário do grupo Islamista que controla Gaza desde 2007, “segundo o acordo assinado, a troca de prisioneiros começará na manhã de segunda-feira”.

O acordo de trégua entre Israel e Hamas, que entrou em vigor na sexta-feira, prevê a troca dos últimos reféns – vivos e mortos – que permanecem em Gaza por quase 2 mil palestinos detidos em cárceres israelenses, incluindo 250 presos por “razões de segurança nacional”.

Ambos os lados devem agora negociar a implementação do plano de paz de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, que visa encerrar o conflito. O plano inclui o desarmamento do grupo palestino e a renúncia ao controle de Gaza após a guerra.

No terceiro dia do cessar-fogo, caminhões com ajuda humanitária cruzaram para Gaza, porém moradores de Khan Yunis relataram saqueios por pessoas famintas.

“Não queremos viver na selva. Exigimos que a ajuda seja garantida e distribuída respeitosamente”, disse Mohamed Zarab, que também mencionou a comida espalhada pelo chão.

O plano de paz também prevê que, com a retirada do exército israelense de Gaza, uma força multinacional — composta por Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos e coordenada pelos Estados Unidos em Israel — assuma a segurança na região.

“Para o Hamas, governar a Faixa de Gaza é uma questão encerrada. O grupo não participará da fase de transição, abrindo mão do controle da Faixa, mas permanece parte fundamental da sociedade palestina”, afirmou uma fonte próxima às negociações do movimento islâmico à AFP, sob anonimato.

Esse posicionamento foi divulgado um dia antes da cúpula de paz em Sharm el-Sheikh, no Egito, que será presidida por Trump e pelo presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, com a presença de cerca de 20 líderes mundiais, inclusive o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

Trump deve visitar Israel primeiro para se reunir com as famílias dos reféns capturados pelo Hamas durante seu ataque no sul de Israel em outubro de 2023, ataque que desencadeou uma ofensiva israelense severa e uma guerra devastadora em Gaza.

Enquanto famílias israelenses dos reféns aguardam ansiosamente o retorno, os palestinos buscam nos escombros de suas casas e esperam pela ajuda humanitária.

Mahmud al-Muzain, morador de Gaza, expressou desconfiança em relação a uma paz duradoura, comentando que “todos temem o retorno da guerra” e que algumas pessoas roubam a ajuda e a escondem em casa.

Fatima Salem, de 38 anos, relatou o desânimo ao constatar que sua casa não existe mais: “Meus olhos procuravam pontos de referência, mas nada parecia o mesmo, nem mesmo as casas dos vizinhos”.

“Apesar do cansaço e do medo, senti como se estivesse retornando ao meu lugar seguro. Senti falta do cheiro da minha casa, mesmo que agora tudo seja apenas escombros. Vamos montar uma barraca ao lado e esperar a reconstrução”, acrescentou.

Apesar desses avanços, mediadores ainda enfrentam o desafio de garantir uma solução política duradoura que leve o Hamas a entregar suas armas e renunciar ao controle de Gaza.

Uma fonte do Hamas próxima às negociações declarou à AFP que “o grupo aceita uma trégua de longo prazo e se compromete a não usar suas armas durante esse período, exceto em caso de ataque israelense a Gaza”.

O conflito em Gaza teve início após o ataque do Hamas em outubro de 2023, que resultou na morte de 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, conforme dados oficiais israelenses compilados pela AFP.

Naquele ataque, 251 pessoas foram capturadas, das quais 47 ainda permanecem detidas em Gaza. O primeiro-ministro Netanyahu informou na sexta-feira que 20 continuam vivas e 28 morreram em cativeiro.

A resposta israelense resultou na morte de pelo menos 67.682 pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza considerados confiáveis pela ONU. Esses dados não distinguem civis de combatentes, mas indicam que mais da metade das vítimas são mulheres e crianças.

Créditos: UOL Notícias

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