Lula e Trump em encontro marcam derrota para bolsonarismo
A fotografia dos presidentes Lula da Silva e Donald Trump sorrindo durante seu primeiro encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, neste domingo, simboliza uma grande derrota para o bolsonarismo após as eleições de 2022. Trump representava a última esperança de Bolsonaro em manter alguma relevância internacional, mesmo diante da condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Essa esperança acabou.
Além de Trump desistir de Bolsonaro, o governo Lula adotou o lema: “o que Bolsonaro estraga, Lula conserta”.
O encontro de 50 minutos resultou em uma determinação para que ministros dos dois países avancem em diversos temas, como as sanções comerciais de 50% sobre produtos brasileiros — especialmente café e carne —, o acesso de empresas americanas às reservas de terras raras, a redução das taxas de importação para etanol americano, o fim do discurso de desdolarização do comércio brasileiro, a pressão militar dos EUA contra a Venezuela e o término das sanções contra ministros do STF.
Embora não haja certeza de acordo em todos esses pontos, o clima de antagonismo chegou ao fim. Por enquanto, a realpolitik prevalece sobre a ideologia.
Assim como muitos aspectos envolvendo Trump, a imagem cordial em Kuala Lumpur pode ser apenas uma trégua, mas há sinais claros de que o Brasil deixou de ser um tema prioritário para a Casa Branca. Um indicativo disso é que o secretário de Estado Marco Rubio, antes o único interlocutor americano, agora está acompanhado do secretário do Tesouro Scott Bessent e do representante comercial Jamieson Greer. A primeira reunião entre eles está marcada para esta segunda-feira, pelo horário da Malásia.
Essa foto dos presidentes vale mais do que qualquer esforço da família Bolsonaro para manter alguma atenção, o que não ocorreu. Eduardo Bolsonaro ajudou a reforçar a popularidade de Lula, mostrou à elite econômica que sua família age em interesse próprio, desmobilizou protestos contra a condenação do pai e enfraqueceu a possibilidade de Tarcísio de Freitas surgir como candidato da direita. Mesmo que o governo brasileiro não feche um bom acordo, Lula já conquistou o avanço necessário para estar à frente na campanha de 2026.
Créditos: Veja