Opinião
15:08

Javier Milei e a ressurreição da direita na América do Sul

Por Paulo Briguet

Javier Milei, antes considerado um delírio argentino, derrotou as expectativas e assumiu o poder na Argentina. Libertário convicto e provocador, ele conseguiu, contra todas as probabilidades, implementar medidas de contenção fiscal e econômicas que deram sinais positivos ao país.

Ao longo de seus dez meses de governo, conquistou seis meses consecutivos de superávit primário e reduziu drasticamente a inflação, que caiu de 25% ao mês para menos de 3%. Para isso, cortou ministérios, diminuiu salários, suspendeu obras e retirou subsídios, tudo sem pedir desculpas. Com essas ações, as reservas internacionais da Argentina mostraram recuperação e o povo manifestou seu apoio nas urnas tradicionais.

Enquanto isso, o Brasil enfrenta um cenário oposto. A situação fiscal é preocupante, com déficit superior a um trilhão, estatais deficitárias, juros altos, crescimento das falências e uma população endividada. Cerca de 94 milhões de brasileiros dependem de benefícios governamentais que, na visão do autor, funcionam como uma rede de captura e não de proteção. O colapso fiscal ameaça serviços essenciais como aposentadorias, saúde, educação e segurança, mas o governo atual mantém otimismo em suas comunicações.

A esquerda brasileira recebeu a vitória de Milei com resistência e descrença, inicialmente negando que sua gestão pudesse prosperar. Entretanto, Milei mantém sólido apoio popular, resultados econômicos positivos e força legislativa.

Milei representa o que o atual sistema político brasileiro não consegue nomear: uma direita eficaz, que realiza o necessário, triunfa e justifica suas ações. Para a elite do PT e do STF, ele é um fantasma que alerta para a possibilidade real de derrota caso as eleições de 2026 sejam limpas.

No recente discurso de Lula, houve a tentativa de minimizar opositores com o lema “Rei morto, rei posto”, uma referência a Bolsonaro, mas a experiência com Milei mostra que figuras políticas podem ressurgir através do voto popular. Como disse Winston Churchill, na política morre-se várias vezes em manchetes, mas podem-se ressuscitar em eleições.

Assim, a vitória de Milei sugere que a direita pode renascer, mesmo após derrotas aparentes. “Rei morto, rei ressuscitado” pode ser um conceito político a considerar no futuro próximo.

Créditos: Gazeta do Povo

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