Política
23:11

Chanceler Alemão critica condições de vida em Belém durante a COP30

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, causou indignação ao comentar sua passagem por Belém, onde participou da abertura da COP30, e ouviu pedidos de mais recursos para as florestas. Ele falou a empresários alemães em um congresso de varejo, destacando que, ao perguntar a jornalistas que o acompanharam no Brasil sobre quem gostaria de ficar lá, ninguém levantou a mão e todos ficaram contentes por retornarem à Alemanha.

Merz usou uma comparação para valorizar as condições para negócios na Alemanha, o que foi considerado indelicado por tratar-se de uma declaração pública negativa sobre o país visitado. Contudo, a referência do chanceler sobre Belém é condizente com a realidade, pois a capital paraense enfrenta condições de vida muito difíceis.

Belém é a capital brasileira com maior proporção de população vivendo em favelas, quase 60%, segundo o IBGE, e carece até mesmo de saneamento básico. Diferente de outras grandes cidades brasileiras, onde a pobreza extrema pode ser mais oculta, sediar a conferência da ONU em Belém expõe sua grave precariedade, o que embute uma ironia perversa, já que a conferência trata de meio ambiente.

Os problemas na organização da COP30 incluíram a falta de hotéis, o que levou a acomodar participantes em dois transatlânticos ancorados no porto, causando reclamações até da ONU, que pediu melhorias na segurança, climatização e banheiros durante a primeira semana do evento.

A situação de Belém reflete, de certa forma, o estado geral das cidades brasileiras, marcado por precariedade e má gestão dos governantes. O artigo destaca ainda que a dificuldade para organizar eventos desse porte guarda relação com problemas estruturais, educacionais e administrativos persistentes no Brasil.

O autor enfatiza que críticas sobre o comentário do chanceler, como acusações de xenofobia, deveriam ser direcionadas aos gestores corruptos e incompetentes que mantêm essa realidade, em vez de se ater a uma avaliação externa que denuncia falhas evidentes no país.

Créditos: Revista Oeste

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