Vigília evangélica por Bolsonaro termina em confusão após discurso contra ele
Por Ivan Martínez-Vargas — Brasília
No sábado à noite (22/11/2025), uma vigília evangélica convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para orar pela saúde e liberdade de Jair Bolsonaro foi marcada por tumulto. A confusão teve início quando um homem que se apresentou como pastor discursou a favor da prisão do ex-presidente.
Cerca de cem pessoas participaram do evento, realizado em frente à rotatória que dá acesso à rua do condomínio onde estava o ex-presidente Bolsonaro.
O homem que falou contra Bolsonaro, identificado como Ismael Lopes, foi perseguido e agredido por apoiadores do ex-presidente. A Polícia Militar interveio com spray de pimenta para separar os envolvidos e escoltou Lopes até que ele entrou em um carro de aplicativo. Lopes declarou que estava ciente dos riscos ao fazer seu discurso.
Durante a agressão, ele sofreu socos, pontapés e teve parte da manga de sua camisa rasgada. Embora Flávio Bolsonaro tenha pedido que não agredissem Lopes, o pedido não foi atendido.
Lopes é membro da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo que também organiza eventos da primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) com evangélicos em várias regiões do país. Ele não é pastor e defende causas progressistas e de esquerda nas redes sociais. Seu perfil no Facebook apresenta uma imagem de capa com figuras históricas do comunismo, como Karl Marx, Vladimir Lênin, Joseph Stálin e Mao Tsé-Tung.
Aos 34 anos e residente em Brasília, Lopes pediu para discursar e foi chamado por Flávio Bolsonaro por volta das 20h15. Durante seu discurso, ao lado do senador, leu uma passagem bíblica e pediu a condenação de Jair Bolsonaro por ações durante a pandemia de Covid-19 que resultaram na morte de 700 mil pessoas.
Lopes afirma que não atuou em uma ação coordenada da Frente, mas informou suas lideranças sobre a tentativa de discurso no evento bolsonarista. Para isso, apresentou-se como representante de um movimento evangélico com presença em 19 estados.
Ele já participou de ao menos uma reunião do Conselho de Participação Social da Presidência da República, em dezembro de 2024, representando a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
Após o tumulto, a vigília foi encerrada. Além de Flávio e Carlos Bolsonaro, estiveram presentes os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Izalci Lucas (PL-DF), e os deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF).
Créditos: extra.globo