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Bolsonaro relata surto e tentativa de violar tornozeleira eletrônica em audiência

Em audiência de custódia realizada em 23 de novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que tentou violar a tornozeleira eletrônica devido a um surto e negou qualquer intenção de fuga.

Segundo ele, a ação foi motivada por uma alucinação causada pela interação inadequada entre dois medicamentos prescritos por médicos distintos, Pregabalina e Sertralina, que passou a tomar cerca de quatro dias antes dos fatos.

Durante a audiência por videoconferência, que avaliou a legalidade da prisão preventiva decretada no dia anterior, Bolsonaro explicou que, sentindo sono interrompido, mexeu na tornozeleira com um ferro de soldar, recurso que sabe manusear por ter curso na área e que já possuía em casa. Ele afirmou que a tentativa de abrir a tampa do dispositivo decorreu de uma paranoia de que havia uma escuta na tornozeleira.

Estavam presentes em sua residência sua filha, seu irmão mais velho e um assessor, mas nenhuma dessas pessoas presenciaram a ação. Bolsonaro relatou ter parado por volta da meia-noite e comunicado os agentes responsáveis por sua custódia.

O documento oficial da audiência, conduzida por juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes do STF, registra as declarações do ex-presidente e detalhes do incidente.

Após o depoimento, o STF manteve a prisão preventiva de Bolsonaro sem divulgação do vídeo da audiência. O pedido de prisão foi fundamentado pelo episódio da tornozeleira e pela convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro.

A decisão será analisada pela 1ª Turma do STF em julgamento eletrônico previsto para 24 de novembro, com expectativa de confirmação unânime da prisão.

Bolsonaro está recebendo atendimento médico integral e em regime de plantão, tendo já sido assistido por dois médicos e um advogado. Receberá ainda a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no mesmo dia, conforme autorização do ministro Moraes. A defesa solicitou autorização para visitas de outros familiares, incluindo senadores e vereadores da família Bolsonaro.

A equipe de escolta acionou a direção da unidade assim que foi detectada a tentativa de danificar a tornozeleira com o ferro de soldar. A perícia constatou marcas de queimaduras na estrutura do equipamento, especialmente na área do fechamento, conforme vídeo e relatório divulgados pelo STF.

Os advogados de Bolsonaro tinham um prazo até 16h30 para apresentar justificativas sobre o ocorrido.

Créditos: Poder360

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