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12:06

Estado é acusado de descaso no caso de homem com esquizofrenia morto por leoa em zoológico

Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu após invadir o recinto de uma leoa no zoológico do Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa, tinha esquizofrenia diagnosticada tardiamente. Segundo Verônica Oliveira, conselheira tutelar que acompanhou Gerson por anos, houve falta de acompanhamento e acolhimento adequados pelo Estado após ele atingir a maioridade, principalmente devido à inexistência de albergues adequados.

Verônica explicou que em João Pessoa não há espaços para abrigar pessoas com esse perfil quando cumprem 18 anos, pois crianças e adolescentes vivem em acolhimentos institucionais, mas precisam sair aos 18 ou, em casos excepcionais, aos 21 anos.

O laudo oficial que diagnosticou a esquizofrenia veio somente depois que Gerson entrou no sistema socioeducativo, embora já fosse conhecido que ele ouvia vozes. A conselheira ressaltou que esse diagnóstico tardio dificultou seu tratamento.

Gerson tinha fascínio por leões e sonhava em fazer um safári na África. Seu interesse por animais era notável, e a conselheira lembra que ele aceitava ser acolhido quando combinado, desde que pudesse levar seu cachorro.

Ele e seus quatro irmãos foram retirados de sua mãe, que sofre de esquizofrenia grave, por decisão judicial. Os irmãos foram adotados, mas Gerson não, por já apresentar sinais de problemas psiquiátricos. A avó da família também tem transtornos psiquiátricos.

A conselheira afirmou que Gerson não tinha noção de perigo e muitas vezes era explorado por outras pessoas para cometer pequenos delitos. Seu histórico policial é extenso, incluindo uma ocorrência recente, uma semana antes do incidente, em que ele atirou uma pedra contra uma viatura da Polícia Militar.

Para acessar o recinto da leoa, Gerson escalou uma parede de mais de seis metros, ultrapassou grades de proteção e usou uma árvore para descer até onde o animal estava. Vídeos feitos por visitantes registraram sua escalada e o ataque logo após sua entrada no local.

Devido ao incidente, o zoológico foi temporariamente fechado, suspendendo as visitas e sem previsão para reabrir. O parque estava aberto e com visitantes no momento da invasão.

Créditos: g1

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