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PF investiga ex-assessora de Arthur Lira por supostas irregularidades em emendas

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (12) uma operação na Câmara dos Deputados para investigar possíveis irregularidades em emendas parlamentares. A ex-assessora do deputado Arthur Lira, do Progressistas, Mariângela Fialek, está sendo investigada.

Antes das 9h, agentes da PF chegaram à Câmara e apreenderam documentos e dispositivos eletrônicos usados por Mariângela. Eles se dirigiram a uma sala no Anexo Dois da Câmara, próxima ao plenário, conhecida entre os assessores como “a salinha do orçamento secreto”, em referência às emendas proibidas pelo Supremo Tribunal Federal, que não identificavam o parlamentar beneficiado.

Os policiais também fizeram busca no apartamento de Mariângela, recolhendo documentos e várias joias, que estão sendo analisadas. Ela trabalha na Câmara há quase cinco anos, tendo sido assessora de Arthur Lira, ex-presidente da Casa, e atualmente atua na liderança do Progressistas.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Flávio Dino e apura irregularidades no pagamento de emendas, que são verbas destinadas a obras e projetos dos parlamentares em seus redutos eleitorais.

Em dezembro de 2024, o PSOL questionou no STF a liberação de mais de 5,4 mil emendas, totalizando mais de R$ 4 bilhões. Segundo o partido, essas liberações não constam em atas, e algumas emendas tiveram o destino alterado para beneficiar Alagoas, estado de Arthur Lira.

Seis parlamentares foram ouvidos pela PF, entre eles o deputado Glauber Braga, do PSOL. Na decisão, o ministro Flávio Dino ressaltou fortes indícios de que Mariângela integra uma estrutura organizada para o direcionamento indevido das emendas, supostamente sob ordens da antiga presidência da Câmara exercida por Arthur Lira, o que ainda está sendo investigado. Mesmo após mudança na liderança da Câmara, Mariângela continuaria envolvida em tentativas de manter o chamado “orçamento secreto”.

O ministro destacou uma anotação manuscrita que altera o destino de uma emenda, comparando o controle do orçamento secreto a uma “conta de padaria”, revelando que milhões em recursos públicos eram destinados por comandos verbais, sem considerar projetos ou interesses republicanos.

A defesa de Mariângela afirmou que ela organizava as emendas conforme as decisões da presidência da Câmara e dos líderes partidários, e que sua atuação era técnica, apartidária e impessoal.

Arthur Lira declarou à TV Globo que é necessário investigar quais crimes foram cometidos.

Créditos: G1

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