Venezuela acusa EUA de extorsão na ONU; Rússia e China apoiam Maduro
A Venezuela acusou os Estados Unidos de praticar a “maior extorsão” de sua história em um discurso apresentado na ONU na terça-feira (23). O embaixador venezuelano nas Nações Unidas, Samuel Moncada, expôs as queixas do país sobre a pressão americana durante uma reunião do Conselho de Segurança. A Venezuela informou que apresentaria uma denúncia formal à ONU no sábado (20), após os EUA terem interceptado um segundo navio transportando petróleo venezuelano no Mar do Caribe. O governo de Nicolás Maduro classificou essa ação como um ato grave de pirataria internacional e afirmou que tais atos não ficarão impunes.
Na sessão do conselho, Rússia e China, aliados frequentes de Maduro diante da pressão dos EUA, reforçaram suas críticas a Washington. O governo russo qualificou a pressão americana como um comportamento de “caubói” e alertou que as tensões na Venezuela podem ter consequências inesperadas para o Ocidente.
Os Estados Unidos comunicaram ao Conselho de Segurança que aplicarão e farão cumprir sanções contra a Venezuela e seu presidente, Nicolás Maduro, ao máximo permitido. O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, explicou que o objetivo é privar o governo venezuelano dos recursos petrolíferos que alimentariam o poder fraudulento e as operações de narcoterrorismo atribuídas a Maduro.
Maduro é acusado pelos EUA de liderar o Cartel de los Soles, ligado ao tráfico de drogas, e há uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levem à sua prisão.
O encontro do Conselho de Segurança teve como foco as queixas venezuelanas sobre as ações dos EUA no Caribe e o cerco naval declarado pelo presidente Donald Trump, que resultou na apreensão de navios petroleiros.
Na mesma terça-feira, a Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido de Maduro, aprovou uma lei que prevê até 20 anos de prisão para quem promover ou financiar atos descritos como pirataria ou bloqueios navais. A legislação, denominada “Para Garantir a Liberdade de Navegação e Comércio contra a Pirataria, Bloqueios e Outros Atos Ilícitos Internacionais”, foi aprovada por unanimidade e seguirá para sanção executiva antes de entrar em vigor.
Essa lei surge em meio a operações dos Estados Unidos contra embarcações venezuelanas. Em 10 de dezembro, os EUA apreenderam o primeiro petroleiro, seguido por uma segunda apreensão no dia 20, após Trump anunciar bloqueio total a navios partindo de portos venezuelanos.
A Venezuela classificou essas ações como pirataria e prometeu tomar medidas legais, incluindo recorrer ao Conselho de Segurança da ONU.
Durante a reunião, o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, aliado de Maduro, criticou a oposição, acusando Maria Corina Machado e outros de apoiar sanções contra o país.
Na segunda-feira anterior, Trump e Maduro trocaram declarações ríspidas. Trump, em evento na Casa Branca anunciando novas embarcações militares batizadas em seu nome, afirmou que o mais sensato para Maduro seria renunciar. Maduro respondeu, durante uma feira local, que Trump deveria se preocupar mais com os problemas dos EUA do que com a Venezuela.
Pouco antes, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, declarou que Maduro deve deixar o poder. Ela confirmou que os navios venezuelanos interceptados estão ligados a esforços americanos para combater narcotráfico.
Embora o governo Trump nunca tenha declarado oficialmente que os objetivos da ofensiva militar sejam mudança de regime, aliados do presidente admitem que ele deseja retirar Maduro do poder. Em entrevista à revista “Vanity Fair”, a chefe de Gabinete Susie Wiles sugeriu essa finalidade.
Rússia e China criticaram as operações americanas, classificando as apreensões de navios como violações graves do direito internacional e se posicionaram contra sanções unilaterais dos EUA. A Rússia reafirmou seu total apoio à Venezuela.
As Forças Armadas americanas também têm atacado embarcações usadas para tráfico de drogas no Caribe e Pacífico, destruindo cerca de 30 navios e ocasionando a morte de pelo menos 104 pessoas.
Créditos: g1