Ex-diretor da PRF Silvinei Vasques é preso no Paraguai e condenado por trama golpista
Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi preso no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador. Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação em uma trama golpista que tentou manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.
Em agosto de 2025, Silvinei também foi condenado por improbidade administrativa, acusado de usar a estrutura da PRF para fins eleitorais durante as eleições de 2022. Natural de Ivaiporã (PR), Vasques iniciou sua carreira na PRF em 1995, onde atuou por 27 anos, atingindo o cargo de diretor-geral durante o governo Bolsonaro. Ele se aposentou voluntariamente com salário integral em dezembro de 2022, pouco depois das eleições.
Após deixar a PRF, Silvinei assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, na Grande Florianópolis, mas pediu exoneração em dezembro de 2025, logo após suas condenações judiciais por envolvimento na trama golpista.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), no Rio de Janeiro, condenou Vasques por improbidade administrativa, constatando o uso indevido da PRF para favorecer a candidatura à reeleição de Bolsonaro. A sentença destacou que Vasques promoveu uma “confusão intencional” entre sua posição pública e manifestações políticas. Ele foi multado em cerca de R$ 546,6 mil, equivalente a 24 salários da época, e proibido de contratar com o poder público por quatro anos.
Em outro processo, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Vasques a mais de 24 anos de prisão em regime fechado por integrar uma organização criminosa que atuou para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. Segundo a segunda turma do STF, ele fez parte do chamado “núcleo 2” da trama, responsável por operações como monitoramento de autoridades e coordenação de ações para ruptura institucional. Além da pena, teve seus direitos políticos suspensos, está inelegível e deve contribuir para uma indenização coletiva de R$ 30 milhões.
Silvinei chegou a ser preso preventivamente em 2023, mas foi liberado mediante medidas cautelares antes de se tornar réu e ser condenado.
Durante sua tentativa de fuga, ele tentou sair do Paraguai com um passaporte paraguaio original, que não correspondia à sua identidade verdadeira. Após a prisão pelas autoridades paraguaias, foi colocado à disposição do Ministério Público local e deverá ser expulso do país para entrega às autoridades brasileiras.
As decisões judiciais reforçam que Silvinei Vasques ultrapassou os limites de seu cargo ao atuar politicamente e participar de ações que ameaçaram o Estado Democrático de Direito.
Créditos: G1