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Negociações entre Rússia e Ucrânia enfrentam pontos críticos para o fim da guerra

Desde o início do conflito em fevereiro de 2022, Rússia e Ucrânia discutem condições para um possível acordo de paz que termine a guerra. Na quarta-feira, 24, o Kremlin afirmou ter recebido uma nova proposta conjunta de Kiev e dos Estados Unidos, com uma resposta a ser dada em breve. Contudo, vários temas delicados dificultam a finalização das hostilidades.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem mantido uma postura firme, deixando claro que não aceitará um acordo que não atenda suas demandas. Entre estas estão a garantia de que Kiev não ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a anexação definitiva de territórios controlados por forças russas, incluindo áreas ainda não conquistadas como toda a região do Donbass, além da realização de novas eleições ucranianas.

No domingo, 28, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deve se reunir com seu homólogo americano, Donald Trump, para avançar nas negociações. Zelensky anunciou o encontro na sexta-feira, 26, e declarou que discutirá com o presidente dos EUA as garantias de segurança para a Ucrânia.

Atualmente, a Rússia domina quase 20% do território ucraniano, abrangendo 90% do Donbass, 75% das regiões de Zaporizhzhia e Kherson, pequenas partes de Kharkiv, Sumy, Mykolaiv e Dnipropetrovsk, além de controlar 100% da península da Crimeia, anexada em 2014.

Apesar de manter a cessão de territórios como uma condição para a paz, Putin indicou a empresários russos que está aberto a “trocas territoriais” para encerrar a guerra. Segundo o jornal russo Kommersant, a proposta contempla a posse total do Donbass pelo Kremlin em troca da devolução de algumas áreas atualmente ocupadas.

Na quarta-feira, Zelensky solicitou um “encontro de líderes” para resolver a questão territorial, que considera o maior desafio nas negociações, e resiste à ideia de ceder terras a Moscou. Porém, a nova proposta firmada entre Washington e Kiev inclui a criação de “zonas desmilitarizadas” sem controle militar de nenhuma das partes, embora a implementação dependa de referendos na Ucrânia.

Consultas populares já foram apontadas por Zelensky como imprescindíveis antes de qualquer cessão territorial. No começo de dezembro, declarou: “A resposta deve vir do povo da Ucrânia, por eleição ou referendo”.

Com medo de novas ofensivas, Kiev exige garantias de segurança como condição fundamental para o acordo. Como Putin veta a adesão da Ucrânia à Otan, Zelensky busca alternativas para assegurar proteção ao país.

O novo plano de paz, elaborado por EUA e Ucrânia, aposta em um acordo com Washington e países europeus que “replicaria” o artigo 5 da Otan, que determina defesa mútua em caso de agressão. Prevê-se que uma nova invasão russa desencadearia resposta militar e retorno das sanções contra Moscou.

Detalhes do projeto ainda são escassos.

Em 15 de dezembro, representantes de países europeus, como França, Reino Unido e Alemanha, manifestaram disposição para liderar uma força multinacional na Ucrânia, como parte das garantias de segurança oferecidas a Zelensky.

Nos termos debatidos, Kiev manteria um exército permanente limitado a 800 mil soldados, ante cerca de 900 mil atuais, enquanto Washington comandaria um sistema internacional de alerta contra eventuais ofensivas russas. Países europeus comprometeriam-se legalmente a defender a Ucrânia e apoiar sua entrada na União Europeia.

Outro ponto de divergência são as eleições presidenciais ucranianas, suspensas pela lei marcial desde a invasão em 2022. Putin insiste na realização de eleições para validar o acordo de paz, considerando o governo de Zelensky ilegítimo.

Moscou chegou a propor a suspensão dos ataques no dia do pleito para facilitar o processo eleitoral. Em entrevista coletiva em 19 de dezembro, Putin afirmou: “Estamos preparados para garantir a segurança das eleições na Ucrânia, ao menos abster-nos de ataques neste dia”.

Eleito democraticamente em 2019, Zelensky argumenta que eleições seguras são inviáveis devido ao acesso negado a territórios controlados pela Rússia. Ele afirma que, sem segurança, a legitimidade do pleito fica comprometida e que explicou isso a seus aliados. Em setembro, prometeu ao Parlamento organizar eleições caso ocorra um cessar-fogo bem-sucedido.

Créditos: Veja Abril

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