Internacional
09:09

Rússia ataca Kiev antes da reunião entre Trump e Zelenski na Flórida

Na véspera do encontro entre Donald Trump e Volodimir Zelenski na Flórida, a Rússia lançou um novo ataque com drones e mísseis contra Kiev neste sábado (27), causando um morto e deixando centenas de milhares sem energia elétrica e aquecimento.

O alerta antiaéreo permaneceu ativo por horas após fortes explosões durante a noite, conforme reportaram correspondentes da AFP. Uma mulher de 47 anos faleceu no ataque, conforme informou o governador da região de Kiev, Mikola Kalashnik. Além disso, onze pessoas foram hospitalizadas e aproximadamente 320 mil ficaram sem energia.

Esse ataque aconteceu às vésperas da reunião prevista entre Trump e Zelenski, na qual será discutido um plano promovido pelos Estados Unidos para encerrar o conflito que está completando quase quatro anos.

Antes de viajar aos EUA, Zelenski afirmou que o ataque russo demonstra que Vladimir Putin “não quer pôr fim à guerra”. O presidente ucraniano destacou que a Rússia busca “qualquer desculpa para aumentar o sofrimento da Ucrânia e a pressão sobre outros países” e informou que foram utilizados cerca de 500 drones e 40 mísseis nesse ataque.

O exército russo declarou que seus alvos foram instalações militares e infraestruturas energéticas supostamente “usadas em benefício das Forças Armadas da Ucrânia”.

O plano de paz dos EUA é uma proposta de 20 pontos que congelaria a linha de frente nas posições atuais, mas permitiria que a Ucrânia retirasse suas tropas do leste, onde zonas tampão desmilitarizadas poderiam ser criadas. Zelenski explicou que há divergências entre Kiev e Washington sobre a região de Donbas, controlada em grande parte pela Rússia. Os EUA pressionam para que a Ucrânia desocupe 20% do território que atualmente controla na região de Donetsk, uma exigência territorial principal de Moscou.

O plano também prevê controle conjunto da usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, que está sob controle russo desde a invasão.

Zelenski ressaltou que qualquer cessão de território depende de aprovação popular por referendo. A Ucrânia conseguiu algumas concessões em relação ao plano anterior, que era considerado excessivamente favorável aos interesses russos.

Essas concessões incluíram a exclusão da exigência para que Kiev renunciasse à aspiração de entrar na Otan e a retirada da possibilidade de reconhecimento pelos EUA dos territórios ocupados desde 2014.

O plano engloba ainda acordos bilaterais entre EUA e Ucrânia sobre segurança, reconstrução e economia, além de amplo apoio econômico europeu. Moscou criticou a proposta, acusando Kiev de tentar sabotar as negociações.

A Rússia considera uma linha vermelha a ambição ucraniana de ingressar na Otan e se opõe ao envio de forças internacionais de paz para monitorar um cessar-fogo futuro, um dos pontos do plano.

Enquanto isso, o presidente dos EUA aguarda a chegada de Zelenski, afirmando que não há acordo até sua aprovação. Trump declarou que espera que as negociações tenham sucesso tanto com Zelenski quanto com Putin.

Créditos: Folha de S.Paulo

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