Economia
09:10

Banco Master é alvo de diversas investigações além de fraude com BRB

O Banco Master está envolvido em múltiplas investigações que vão além da tentativa de fraude na negociação com o BRB. As acusações abrangem irregularidades com fundos previdenciários, operações de crédito consignado e manipulação de patrimônio.

O banco enfrenta processos na Justiça e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um inquérito sobre a tentativa frustrada de venda para o BRB tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), com uma acareação agendada entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.

Além disso, há apurações envolvendo créditos consignados, onde o Ministério Público Federal do Distrito Federal investiga falhas do INSS na autorização e fiscalização das instituições financeiras que oferecem esse produto. Depois do início das investigações, o INSS não renovou o acordo com o Master, e o Ministério Público também deve analisar a regulação do cartão de crédito consignado, produto anteriormente ofertado pelo banco.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), clientes do Banco Master tratam reclamações relacionadas a crédito consignado e supostas cláusulas abusivas.

Fundos de previdência públicos também estão envolvidos, buscando na Justiça reaver aportes feitos ao banco. Um levantamento revelou que 18 fundos de estados e municípios investiram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master, papéis sem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Em investigações anteriores, casos envolvendo aportes de R$ 500 milhões de fundos de servidores estão em curso na Justiça Federal de Rondônia e no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), embora Daniel Vorcaro não tenha sido denunciado. Parte das apurações da Polícia Federal com foco no banco foram suspensas por decisão judicial.

Outro procedimento judicial envolve o empresário Nelson Tanure, alvo de denúncia do Ministério Público Federal de São Paulo por supostamente obter vantagem por meio de informações privilegiadas. A defesa de Tanure pediu que o caso seja encaminhado ao STF, apontando ligação com o Banco Master.

Desde 2017, a CVM abriu pelo menos nove processos sancionadores e inquéritos contra o banco, seus sócios ou fundos do grupo, com ao menos quatro processos ainda ativos.

Um caso sigiloso apura uma operação na qual o Banco Master teria usado uma pequena clínica em Contagem (MG) para inflar artificialmente seu patrimônio, conforme documento judicial acessado por O GLOBO. A clínica emitiu 13 notas comerciais de valores muito superiores às suas receitas, adquiridas integralmente por um fundo de investimento ligado ao banco.

A suspeita é de que essas notas faziam parte de um esquema para aumentar o patrimônio líquido do Master, influenciando sua capacidade de emissão de CDBs.

A CVM também investiga possível manipulação nos preços das ações da Ambipar, que tiveram alta explosiva de 863% entre maio e agosto de 2024, com evidências de conluio para inflar essas ações, beneficiando o Banco Master.

Outro processo apura supostas manipulações no preço e na liquidez das cotas do fundo imobiliário Brazil Realty entre 2018 e 2019, com Vorcaro e o Master entre os acusados. Após quatro anos parados, após rejeição de proposta de acordo, o caso segue para julgamento.

Também estão em análise questões relativas à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da rede de laboratórios Alliança, envolvendo o fundo Fonte de Saúde, do empresário Nelson Tanure, e a MAM Asset, gestora vinculada ao Banco Master.

A OPA, que deveria ter ocorrido após Tanure assumir o controle da Alliança em abril de 2022, foi realizada apenas um ano e quatro meses depois, o que segundo a CVM pode ter prejudicado investidores. A operação envolveu uma transação de R$ 891 milhões.

O advogado de Tanure afirmou que aspectos processuais estão sendo tratados sob segredo judicial e fora do âmbito público. A assessoria do Banco Master não comentou o assunto.

Créditos: O Globo

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