Toffoli marca acareação controversa no caso Banco Master durante recesso
Quando o Brasil se preparava para celebrar o Natal, o ministro José Antonio Dias Toffoli, do STF, surpreendeu ao anunciar uma acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Ailton de Aquino, diretor do Banco Central, que não está sob investigação.
A decisão de marcar essa acareação no recesso do Judiciário e antes dos interrogatórios dos envolvidos gerou perplexidade. O procurador-geral da República suspendeu essa iniciativa, mas Toffoli a confirmou novamente para 30 de dezembro, véspera do Réveillon. A motivação de Toffoli para isso não foi divulgada.
A controvérsia iniciou-se após uma viagem de Toffoli ao Peru para a final da Libertadores, acompanhado do advogado de Vorcaro, Augusto Arruda Botelho.
A pedido da defesa, Toffoli assumiu o processo que estava em primeira instância e sob sua relatoria no STF, decretando sigilo máximo sobre os mais de 4 mil páginas das investigações da Polícia Federal. Assim, ele passou a coordenar as diligências sob sigilo rigoroso.
Normalmente, acareações são marcadas em fases finais de processos a pedido dos investigadores ou defesas, quando há contradições claras. Nesta situação, não houve pedido formal da PGR ou PF, e o motivo da pressa segue desconhecido por causa do sigilo.
Uma manchete da Folha indicou que Toffoli pretende focar a atuação do Banco Central nesse processo, deslocando o foco do Banco Master e do BRB para o BC, que proibiu a negociação e liquidação da instituição de Vorcaro.
Parece que Toffoli não compreendeu totalmente a situação ao promover essa medida, enfrentando críticas quanto à parcialidade e segredo impostos. Além disso, o celular de Vorcaro foi apreendido na prisão antes da liquidação do banco, revelando um contrato milionário envolvendo a esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto isso, os clientes lesados pelo banco não tiveram acesso ao Fundo Garantidor de Créditos, que cobre aplicações até R$ 250 mil por CPF. O prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 40 bilhões.
O mercado financeiro já estava ciente da fragilidade do Banco Master há algum tempo, considerado uma operação arriscada. Isso relembra situações antigas de vendas controversas, mas com prejuízos menores.
A situação permanece sob sigilo e controle de Toffoli no STF, levantando muitas dúvidas e expectativa por novas movimentações.
Créditos: UOL Notícias