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Fraude de R$ 12 bilhões no Banco Master gera investigações e pressão política

O Banco Master está envolvido em um escândalo de fraude financeira que resultou em investigações conduzidas pelo Banco Central, Ministério Público e Polícia Federal. Descobriu-se uma fraude de R$ 12 bilhões, revelando um colapso financeiro encoberto por ativos fictícios. O caso gerou críticas à atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) e a decisões do ministro Dias Toffoli, levantando dúvidas sobre a integridade do sistema financeiro brasileiro.

O Banco Central notificou o Ministério Público sobre os fatos, que encaminhou o caso para a Polícia Federal apurar os crimes. Diferente de desequilíbrios financeiros comuns, essa fraude envolve a criação de ativos inexistentes para esconder o rombo no banco. Qualquer tentativa de reverter a liquidação enfrentará obstáculos legais e regulatórios. A marcação de uma acareação pelo ministro Dias Toffoli equiparou o regulador e o investigado, enquanto o ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, criticou a liquidação e pediu explicações, embora esteja fora da competência do tribunal.

O Banco Master tentou vender uma carteira de ativos fraudulentos para o BRB, banco público. Essa carteira foi criada com ajuda da Tirreno, empresa fundada em novembro de 2024 por ex-funcionários do Master. Segundo o balanço de 2024, o banco tinha patrimônio líquido de pouco mais de R$ 4 bilhões, mas a fraude supera R$ 12 bilhões, evidenciando o colapso financeiro e a necessidade de liquidação.

Mesmo com a crise, em novembro de 2024 a agência Fitch elevou a nota do banco, embora ele enfrentasse problemas de credibilidade e captação. O Master utilizou pareceres jurídicos para tentar justificar sua situação. O Banco Central realizou uma supervisão detalhada dos ativos e, ao encontrar irregularidades crescentes, comunicou ao Ministério Público entre março e abril. A Polícia Federal confirmou as suspeitas e a Justiça iniciou processos que resultaram na prisão de Daniel Vorcaro e outros sócios.

Durante meses, o Banco Central solicitou explicações ao banco, mas as respostas eram insuficientes. A fiscalização encontrou novos indícios de crime constantemente, todos reportados ao Ministério Público.

O processo se intensificou após o anúncio de que o BRB compraria 58% do capital do Master, que já enfrentava grave crise de liquidez e problemas de credibilidade. Apesar disso, o banco continuava aumentando seus supostos créditos, algo atípico para instituições em crise, o que levantou suspeitas e iniciou as investigações.

O ministro Dias Toffoli assumiu o caso após a defesa de Vorcaro alegar envolvimento de um deputado, mas a transação mencionada com o deputado não foi concluída e não tem relação com as investigações. Mesmo assim, Toffoli manteve o processo sob sigilo e marcou acareação para o fim de dezembro entre envolvidos.

O TCU exigiu explicações do Banco Central sobre a liquidação em prazo curto. Observadores lembram que pressões políticas e jurídicas contra dirigentes do Banco Central já ocorreram em crises anteriores. Atualmente, a intensidade dessas pressões é maior, e o Brasil terá que decidir se mantém a confiança no sistema financeiro ou se aceita práticas que ponham em risco sua credibilidade.

Créditos: O Globo

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