PF cumpre mandados de prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado
A Polícia Federal cumpriu, na manhã deste sábado (27/12), ao menos dez mandados de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esses mandados se referem a condenações da Primeira Turma do STF relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
De acordo com a Polícia Federal, as ações ocorrem nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal, com apoio do Exército Brasileiro.
Além da prisão domiciliar, foram impostas medidas restritivas como a proibição de uso de redes sociais, de contato com outros investigados, a entrega dos passaportes, a suspensão do porte de armas e a proibição de visitas.
Entre os alvos da operação, destacam-se:
– Guilherme Marques Almeida: Tenente-coronel e ex-comandante do 1º Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia, condenado a 13 anos e 6 meses de prisão; ao receber a Polícia Federal em fevereiro de 2024, ele desmaiou.
– Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: Tenente-coronel integrante do “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”, condenado a 17 anos de prisão.
– Filipe Martins: Ex-assessor da Presidência no governo Jair Bolsonaro, teria apresentado minuta de decreto para executar golpe de Estado. Condenado a 21 anos de prisão.
– Giancarlo Gomes Rodrigues: Subtenente do Exército responsável por monitoramento clandestino de opositores políticos. Recebeu pena de 14 anos.
– Ângelo Martins Denicoli: Major da reserva do Exército denunciado por espalhar notícias falsas sobre urnas eletrônicas e atacar instituições, recebeu pena de 17 anos.
– Ailton Gonçalves Moraes Barros: Militar reformado e advogado aliado de Bolsonaro, indiciado em inquéritos da tentativa de golpe e fraude em cartões de vacinação; condenado a 13 anos.
– Fabrício Moreira de Bastos: Coronel do Exército, ligado a carta que buscava apoio militar ao golpe; condenado a 16 anos.
– Bernardo Romão Corrêa Netto: Coronel que participou de grupo que tentou incitar golpe nas Forças Armadas; condenado a 17 anos.
– Marília Alencar: Delegada da Polícia Federal, única mulher denunciada pela PGR nesse grupo, condenada a 8 anos e 6 meses.
O ministro Alexandre de Moraes ressaltou na decisão que o grupo planejava possíveis fugas do país com ajuda de terceiros, citando casos como os de Alexandre Ramagem, que foi para os EUA, e Silvinei Vasques.
Os mandados ocorreram um dia após a prisão de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, na fronteira paraguaia, que estava proibido de sair do Brasil.
Ele foi detido no aeroporto de Assunção com passaporte paraguaio falso e uma carta médica afirmando que tratava de câncer para justificar a viagem a El Salvador. A Polícia Federal classificou o episódio como uma tentativa de fuga.
Créditos: BBC