Banco Central relata nova investigação sigilosa sobre fraudes do Banco Master
Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central (BC) comunicou uma nova investigação sigilosa encaminhada ao Ministério Público Federal, envolvendo fraudes adicionais supostamente cometidas pelo conglomerado do banco Master. Essas fraudes teriam sido realizadas na tentativa de manter o funcionamento do banco, além das irregularidades já descobertas anteriormente, que somam cerca de R$ 12,2 bilhões.
O relatório apresentado pelo BC detalha que, em maio de 2025, o Master firmou um contrato com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para honrar compromissos devido a dificuldades financeiras.
O documento também relata todo o histórico das tentativas frustradas do banco Master em obter aportes financeiros para continuar em operação, além das transações irregulares registradas entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), que tentavam viabilizar a venda do banco privado para o governo do Distrito Federal.
O relatório foi solicitado pelo ministro do TCU, Jonathan de Jesus, que classificou como precipitada a decisão do Banco Central. Esse pedido atípico surgiu após questionamentos do Ministério Público do tribunal e demanda da liderança da minoria na Câmara dos Deputados.
O relatório, com quinze páginas, descreve detalhadamente as dificuldades financeiras enfrentadas pelo banco e as fraudes investigadas pela Polícia Federal.
Assinam o documento os diretores de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e de Reorganização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, afastando as especulações sobre possíveis divergências entre eles no processo que resultou na liquidação do banco Master.
No dia 30 de dezembro de 2025, Ailton de Aquino deve prestar depoimento à Polícia Federal e a um juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli, podendo ser submetido a uma acareação com Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Paulo Henrique da Costa, ex-presidente do BRB.
A nova fraude descoberta pelo Banco Central foi comunicada ao Ministério Público Federal em 17 de novembro de 2025, mesmo dia em que a Polícia Federal realizou operação que resultou na prisão de Daniel Vorcaro por fraudes bancárias avaliadas em R$ 12,2 bilhões, envolvendo venda de carteiras de crédito falsas ou sem lastro para o BRB. No dia seguinte, o BC decidiu pela liquidação do banco Master.
Essa fraude teria sido arquitetada para atender exigência do Banco Central de realizar novos aportes de capital para a continuidade das operações do conglomerado.
A fiscalização do BC identificou indícios de crimes como desvio de recursos e gestão fraudulenta, com movimentações financeiras envolvendo fundos relacionados à operação Carbono Oculto, que investigou uma máfia ligada ao setor de combustíveis.
O relatório indica que, em 4 de maio de 2025, diante das dificuldades para honrar compromissos, o Master ajustou um contrato de assistência de liquidez de curto prazo com o FGC.
Como parte do acordo, o FGC proibiu o Master de captar recursos por meio da venda de CDBs com taxas superiores a 100% do CDI.
O banco enfrentou problemas de liquidez em parte por vender CDBs com taxas que chegaram a 140% do CDI, o que complicou o cumprimento de suas obrigações.
Após o acordo, entre maio e outubro de 2025, o BC reportou ao TCU que o Master conseguiu captar apenas R$ 90,2 milhões com taxas abaixo de 100% do CDI.
Paralelamente, o FGC destinou cerca de R$ 4,3 bilhões para quitar CDBs do banco Master que venceram nesse período, demonstrando a incapacidade do banco de manter suas operações.
Esses fatos compõem o histórico da crise financeira do banco Master reportado pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União.
Créditos: g1