Tensão no STF entre delegada da PF e juiz auxiliar de Toffoli durante investigação
O ambiente no Supremo Tribunal Federal (STF) ficou tenso entre a delegada da Polícia Federal Janaina Palazzo, o ministro Dias Toffoli e seu juiz auxiliar durante o andamento das investigações do caso Banco Master.
A tensão aumentou antes dos depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Após as oitivas realizadas, a delegada promoveu uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique, enquanto o diretor do Banco Central foi dispensado.
As investigações estão sob relatoria do ministro Toffoli, sendo que o juiz auxiliar Carlos Vieira Adamek foi designado para acompanhar os depoimentos. No entanto, a delegada manifestou discordância em relação a algumas orientações do juiz auxiliar.
Logo no início, Janaina, que lidera o inquérito, afirmou que a direção da PF orientou a realização da acareação entre os investigados sem depoimentos individuais prévios. Já o juiz Adamek insistiu que a ordem era primeiro ouvir os depoentes individualmente.
Adamek consultou Toffoli, que confirmou a necessidade de tomar os depoimentos antes de uma eventual acareação. Para resolver o impasse, a delegada solicitou que fosse registrado em ata a determinação do ministro para colher os depoimentos de Vorcaro, Paulo Henrique e do diretor do BC.
Vorcaro e Paulo Henrique estiveram juntos nas negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do Distrito Federal. O dono do banco foi preso em novembro ao tentar fugir do país em um avião particular para Malta. As fraudes financeiras estimadas chegam a R$ 12 bilhões.
Ailton, diretor do Banco Central, não é investigado, mas acompanhou a crise do Master e recomendou a liquidação da instituição.
Uma segunda divergência se deu quando o juiz auxiliar passou perguntas à delegada para que fossem feitas aos depoentes. Janaina recusou-se a reproduzir perguntas que não considerasse adequadas, afirmando que só poderia fazer as perguntas em seu nome.
Diante disso, a delegada contatou o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, que confirmou que ela não poderia realizar perguntas que não fossem suas, a menos que o ministro Toffoli determinasse oficialmente a forma das indagações.
Interlocutores da PF, do Banco Central e do gabinete do ministro confirmaram as divergências sobre a condução dos depoimentos.
Representantes de Toffoli asseguram que o ministro havia decidido previamente que os depoimentos deveriam preceder qualquer acareação, que só ocorreria em caso de contradições.
Diante da resistência da delegada, Toffoli mandou registrar sua determinação sobre a tomada dos depoimentos. Quanto às perguntas, ficou claro que a delegada só aceitou repassá-las após registrar que eram do ministro, não dela.
No final, a delegada realizou os depoimentos de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Ailton de Aquino Santos, dispensando o diretor do BC da acareação.
A sede do Banco Master está localizada na avenida Faria Lima, em São Paulo.
Créditos: g1