Política
12:06

Ministro Toffoli investiga anulação da liquidação do Banco Master

Existe um crescente entendimento entre banqueiros de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está buscando uma brecha na investigação das irregularidades do Banco Master para tentar anular a liquidação da instituição.

Essa suspeita se intensificou após Toffoli determinar, por iniciativa própria, uma acareação inédita entre investigados e um diretor do Banco Central (BC). A medida inverte a lógica da investigação e gera desconforto no BC, que atua como regulador e supervisor do sistema financeiro.

Segundo banqueiros e outros agentes do mercado, a eventual anulação beneficiaria exclusivamente Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afastando-o de um processo penal e da prisão, sem considerar o aspecto patrimonial ou os interesses dos correntistas.

Alguns profissionais do setor financeiro questionam ainda a viabilidade disso afirmando que, mesmo que a liquidação seja revertida, Vorcaro não obteria mais recursos, e investidores não confiariam em comprar títulos como CDBs do banco após as revelações feitas.

Especialistas também apontam que a anulação poderia atrasar o ressarcimento aos credores. Normalmente, o Fundo Garantidor de Créditos atua rapidamente quando o BC liquida uma instituição, enquanto processos judiciais demandam mais tempo.

Há dúvidas quanto à capacidade técnica de um juiz, neste caso Dias Toffoli, para avaliar a solvência do banco, uma vez que o conhecimento especializado está com a equipe técnica do Banco Central, que identificou uma “grave crise de liquidez” e “violações das normas do Sistema Financeiro Nacional”.

O Banco Central está preocupado com as ações de Dias Toffoli, visto que a possibilidade de anular a liquidação é considerada concreta e pode prejudicar os técnicos que identificaram R$ 12,2 bilhões em créditos problemáticos vendidos ao Banco de Brasília (BRB).

Depoimentos tomados pela Polícia Federal do dono do Master, Daniel Vorcaro, e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram informações divergentes, reforçando a necessidade de confrontação das versões.

Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro por ordem da 10.ª Vara Federal de Brasília e solto em 29 do mesmo mês após habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. A investigação passou ao STF após a apreensão de um documento com menção a um deputado federal.

A investigação suspeita que o Master tenha fabricado carteiras falsas de crédito para vendê-las ao BRB, e apura crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

O Banco Central decretou em 18 de julho a liquidação extrajudicial do Banco Master, um dia depois de o Grupo Fictor manifestar interesse na compra da instituição.

Créditos: Estadão

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