Política
15:09

The Economist questiona candidatura de Lula em 2026 devido à idade e desempenho

Um texto publicado no site da revista The Economist na terça-feira (30/12) avalia que o presidente Lula não deveria disputar a eleição presidencial novamente. Um dos motivos destacados é sua idade, 80 anos.

“Lula tem 80 anos. Apesar de seu talento político, é muito arriscado para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não protege do declínio cognitivo”, afirma a revista.

A publicação compara Lula ao ex-presidente americano Joe Biden, que também foi criticado pela idade, 81 anos, quando concorria em 2024.

“Lula tem apenas um ano a menos que Biden no ciclo eleitoral de 2024 nos EUA, cuja campanha terminou de forma negativa”, destaca.

Embora Lula aparente estar em melhor forma que Biden, a revista lembra que ele enfrentou problemas de saúde. Em dezembro de 2024, realizou uma cirurgia cerebral para conter um sangramento interno após escorregar e bater a cabeça.

Caso complete mais um mandato, Lula teria 85 anos ao final dele.

A The Economist também revisitou o confronto entre Lula e Donald Trump em 2025 e as implicações para a eleição subsequente.

“O Brasil prendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro por conspirar golpe, enquanto Trump, falsamente, acusou armação e aplicou tarifas punitivas aos produtos brasileiros. Lula enfrentou Trump e o convenceu a recuar em grande parte, posicionando-se fortemente para a reeleição em outubro.”

A revista afirma que, com um quarto mandato, Lula seria “o político mais bem-sucedido da era democrática brasileira, que iniciou após a ditadura em 1985 e que Bolsonaro tentou restringir”.

Apesar disso, o texto diz que o país “merece melhores escolhas”.

O texto também destaca que Lula ainda sofre com escândalos de corrupção que marcaram seus dois primeiros mandatos, o que dificulta o perdão de muitos brasileiros.

Sobre a economia, a revista considera as políticas de Lula como medianas, focando principalmente em programas de transferência de renda, com medidas fiscais menos favoráveis a empresas, embora tenha implementado reforma tributária que agradou alguns empregadores.

Outro ponto criticado é a ausência de um sucessor competitivo à esquerda ou centro-esquerda. Assim como Biden, Lula pouco fez para preparar um substituto. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, foi considerado, mas foi rejeitado por ser visto como muito intelectual. Outros jovens prefeitos desses espectros têm apoio, porém insuficiente para enfrentar Lula.

Para a The Economist, Lula faria um favor ao país e a seu legado se não se candidatasse, permitindo a disputa adequada para encontrar novo líder da centro-esquerda.

À direita, há intensa disputa para substituir o desgastado Bolsonaro, preso e com 27 anos de sentença, mas ainda com apoio expressivo, sobretudo entre evangélicos.

Bolsonaro escolheu o filho Flávio para concorrer, porém a revista avalia que ele é impopular, ineficaz e provavelmente perderia para Lula.

Outros candidatos estão na disputa, incluindo governadores estaduais. O destaque é o governador paulista Tarcísio de Freitas, conservador, que ocupa uma posição melhor nas pesquisas contra Lula do que Flávio, embora não confirme candidatura.

A revista sugere que Bolsonaro pode repensar o apoio ao filho e transferi-lo para Tarcísio.

“Freitas deveria ter coragem para entrar na corrida. Ao contrário dos Bolsonaro, é ponderado e democrático. Ao contrário de Lula, tem 50 anos”, conclui.

A The Economist defende que a democracia de 2026 necessita de uma disputa real entre candidatos novos e viáveis.

No entanto, considera improvável que Lula desista da candidatura e sugere que a direita poderia se organizar melhor.

Segundo o texto, partidos de direita poderiam abandonar Flávio e apoiar um candidato capaz de superar a polarização Lula-Bolsonaro, alguém que seja centro-direita, redução de burocracia, mas preservação ambiental, firme contra o crime, respeitando as liberdades civis e o Estado de Direito, capaz de vencer e governar bem.

Créditos: BBC News Brasil

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