Bolsonaro deve receber alta e voltar à custódia da Polícia Federal em Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro deve receber alta hospitalar nesta quinta-feira e retornar à custódia da Polícia Federal em Brasília após uma semana internado no Hospital DF Star. A informação foi confirmada por médicos que acompanham o ex-mandatário após novos exames realizados nesta quarta-feira.
Na manhã de quarta, Bolsonaro realizou uma endoscopia digestiva alta que indicou esofagite, possível causa das crises de soluços enfrentadas recentemente. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, a previsão é de liberação médica nesta quinta-feira.
“A nossa previsão de alta é para amanhã e, a partir disso, nós médicos não sabemos o horário. A remoção fica a cargo da Superintendência da Polícia Federal”, afirmou o médico.
Internado desde a semana passada, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral realizada na quinta anterior. Durante a internação, os médicos também adotaram procedimentos para tentar conter as crises repetidas de soluços.
Na segunda-feira, o ex-presidente passou por nova intervenção e, na terça à tarde, recebeu reforço no tratamento. Caiado informou que houve melhora após os ajustes feitos.
“No decorrer da noite, ele estabilizou e apresentou melhora nos soluços, indicando que a medicação começou a fazer efeito. Ainda assim, é necessário um pouco mais de tempo, pois a evolução nesses casos costuma ser mais lenta. As primeiras 24 horas nos deixaram otimistas”, declarou o médico.
Durante a internação, Bolsonaro solicitou o uso de medicamentos antidepressivos, conforme confirmado pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini.
“O presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo. O tratamento foi introduzido, e espera-se que produza efeito em alguns dias”, afirmou.
Bolsonaro está preso desde novembro em uma sala da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Nesta quarta-feira, a defesa do ex-presidente apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo pedido de prisão domiciliar baseado no estado de saúde dele. No pedido ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados argumentam que a permanência de Bolsonaro no sistema prisional após a alta hospitalar representaria risco à saúde.
“A permanência desse paciente em estabelecimento prisional, tão logo obtenha alta hospitalar, submeter-lhe-ia a risco concreto de agravamento súbito do estado de saúde”, sustentam.
A defesa destaca que o quadro clínico exige cuidados contínuos que não são compatíveis com o regime prisional e que o pedido se baseia em fatos recentes relacionados à evolução da saúde do ex-presidente, documentados por laudos médicos.
Pedidos anteriores de prisão domiciliar e humanitária foram negados pelo STF. Em 19 de dezembro, o ministro Moraes já havia rejeitado a domiciliar na mesma decisão que autorizou a cirurgia para retirada de hérnia em 25 de dezembro.
Agora, caberá ao ministro analisar o novo requerimento, enquanto a equipe médica mantém a previsão de alta e o retorno de Bolsonaro à custódia da Polícia Federal.
Créditos: O Globo