Incêndio fatal no bar Le Constellation revive tragédias similares ao redor do mundo
O incêndio ocorrido no bar Le Constellation, já considerado uma das maiores tragédias da Suíça, soma-se a outros desastres que causaram centenas de mortes em boates e bares globais nas últimas décadas.
No primeiro dia do ano, o fogo deixou pelo menos 40 mortos e mais de cem feridos, conforme informações das autoridades suíças.
O coletivo Kiss: que não se repita, formado por sobreviventes e amigos das vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, compartilhou nas redes sociais a frase “A história se repete”.
Em 27 de janeiro de 2013, 242 pessoas morreram em incêndio na boate gaúcha, provocado por um artefato pirotécnico utilizado pela banda Gurizada Fandangueira.
Testemunhas do caso na Suíça relataram que uma garçonete colocou velas de aniversário em garrafas de champanhe, e uma delas foi levantada, iniciando as chamas.
“Em poucos segundos, todo o teto pegou fogo. Tudo era de madeira”, contou uma turista francesa para o canal BFMTV.
Um vídeo promocional do Le Constellation, datado de maio de 2024, mostra mulheres com capacetes de motociclista andando pelo bar com sinalizadores em garrafas de bebidas alcoólicas levantadas.
Autoridades suíças ainda investigam a causa do incêndio, sem confirmações até o momento.
A seguir, outras tragédias similares em espaços fechados pelo mundo são relembradas.
Em 27 de janeiro de 2013, um incêndio em festa universitária “Agromerados” na Boate Kiss causou 242 mortes e mais de 600 feridos, principalmente jovens. O fogo teve origem em artefato pirotécnico aceso pelo vocalista Marcelo de Jesus dos Santos da banda Gurizada Fandangueira. A faísca atingiu rapidamente o revestimento do teto e as chamas se alastraram.
Em 2021, quatro pessoas foram condenadas: os sócios da boate Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, e os integrantes Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão. Após recursos, o Supremo Tribunal Federal manteve as condenações em abril de 2025.
Em 2025, outro grave incidente ocorreu na boate Pulse, em Kocani, Macedônia do Norte. O incêndio em março matou 63 pessoas, causado por faíscas de dispositivos pirotécnicos durante um show do grupo DNK, com cerca de 1.500 presentes. A justiça local iniciou julgamento de 35 pessoas e três empresas.
Em 6 de dezembro de 2025, 25 pessoas morreram em incêndio na boate Birch By Romeo Lane, em Goa, Índia, após explosão de cilindro de gás na cozinha, afetando funcionários e turistas. Os proprietários fugiram para a Tailândia, mas foram deportados à Índia para responder judicialmente.
No mesmo ano, em abril, o teto da boate Jet Set em Santo Domingo, República Dominicana, desabou, causando 232 mortes, incluindo figuras políticas, culturais e esportivas. O show do cantor Rubby Pérez foi interrompido pela tragédia. Os donos Antonio e Maribel Espaillat foram presos após denúncias sobre condições precárias da estrutura.
Em outubro de 2015, 64 pessoas morreram na boate Colectiv, Bucareste, Romênia, devido a incêndio causado por fogos de artifício que incendiaram a espuma das paredes. Protestos levaram à renúncia do governo. Três proprietários foram presos por irregularidades, como superlotação e falta de saídas de emergência.
Em 4 de dezembro de 2009, 154 pessoas morreram em incêndio no clube Lame Horse, Perm, Rússia, causado por fogos de artifício durante show. Muitas mortes foram por inalação de fumaça. Autoridades relataram que avisos sobre falhas de segurança foram ignorados e vários responsáveis foram condenados.
Em 30 de dezembro de 2004, 194 pessoas morreram na boate República Cromañón, Buenos Aires, por incêndio iniciando com fogos de artifício da banda Callejeros. Muitas vítimas tinham menos de 20 anos. A banda foi condenada por incêndio culposo com mortes. A lotação excedia o limite oficial. A tragédia levou ao impeachment do prefeito Aníbal Ibarra em 2005.
Créditos: BBC